A relação entre rotenona Parkinson ganhou força com uma pesquisa recente mostrando que esse pesticida pode alterar a atividade de genes em regiões do cérebro ligadas à doença. O achado não prova que uma exposição isolada cause Parkinson em humanos, mas ajuda a explicar por que certos agrotóxicos preocupam tanto os cientistas.
Por que a rotenona chama atenção
A rotenona é um pesticida conhecido por interferir nas mitocôndrias, estruturas que produzem energia dentro das células. Essa falha energética é relevante porque neurônios que produzem dopamina, muito afetados no Parkinson, são especialmente sensíveis ao estresse celular.
Na pesquisa, os cientistas observaram alterações em regiões como a substância negra, uma área profundamente envolvida no controle dos movimentos. É justamente nessa região que ocorre grande perda de neurônios dopaminérgicos na doença de Parkinson.

O que diz o estudo científico
Segundo o estudo experimental em modelo animal Unique nigral and cortical pathways implicated by epigenomic and transcriptional analyses in rotenone Parkinson’s model, publicado em 2025 na npj Parkinson’s Disease, a exposição diária de ratos à rotenona por 21 dias provocou mudanças epigenéticas e de expressão gênica no cérebro.
Essas mudanças funcionam como “marcas” químicas que podem ligar ou desligar genes sem mudar a sequência do DNA. O estudo encontrou sinais de ativação imune e inflamação na substância negra, além de alterações relacionadas às sinapses no córtex motor.
Quais mudanças foram encontradas
Os pesquisadores analisaram a atividade dos genes e modificações em proteínas chamadas histonas, que ajudam a organizar o DNA. O padrão observado sugere que a rotenona pode reprogramar respostas cerebrais ligadas à inflamação, energia celular e comunicação entre neurônios.
- Substância negra: aumento de vias ligadas à resposta imune e à ativação de micróglia;
- Sistema complemento: maior atividade de genes como os da via C1q, associada à resposta inflamatória;
- Córtex motor: alterações em genes relacionados à função das sinapses;
- Mitocôndrias: sinais de impacto em processos de respiração celular;
- Regulação gênica: mudanças epigenéticas capazes de influenciar quais genes ficam mais ativos.
O que isso significa para humanos
O estudo foi feito em ratos, por isso seus resultados não devem ser lidos como prova direta de risco individual em pessoas. Ainda assim, ele ajuda a entender mecanismos biológicos que podem conectar exposição ambiental a pesticidas e maior vulnerabilidade ao Parkinson.
Esse tipo de evidência se soma a pesquisas epidemiológicas que já associam exposição ocupacional a pesticidas a maior risco de doença de Parkinson. Para entender os sintomas e formas de tratamento, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre Parkinson.

Como reduzir a exposição
Quem trabalha no campo ou vive perto de áreas agrícolas pode diminuir riscos com medidas de proteção e orientação técnica. A prevenção é importante porque os efeitos de alguns pesticidas podem não aparecer imediatamente.
- Usar equipamentos de proteção individual ao manipular ou aplicar pesticidas;
- Evitar contato direto com roupas, luvas ou botas contaminadas;
- Lavar roupas de trabalho separadamente das demais peças da casa;
- Respeitar o tempo de reentrada em áreas recém-pulverizadas;
- Procurar atendimento se surgirem tremor, lentidão, rigidez ou perda de equilíbrio persistentes.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









