Pesquisas recentes indicam que pacientes com AVC isquêmico apresentam maior concentração de microplásticos nas placas das artérias carótidas, os vasos que levam sangue ao cérebro. Essa associação levantou preocupações sobre o papel da exposição a partículas plásticas na saúde cardiovascular. Ainda não é possível afirmar que os microplásticos causam diretamente essas doenças, mas o achado abre um novo campo de investigação sobre fatores ambientais e risco vascular.
O que são microplásticos e como chegam ao corpo?
Microplásticos são pequenas partículas de plástico com menos de cinco milímetros, resultantes da degradação de embalagens, tecidos sintéticos, cosméticos e utensílios domésticos. Eles estão presentes na água, no ar, em alimentos e até em produtos de uso diário.
A entrada dessas partículas no organismo acontece principalmente por ingestão e inalação. Uma vez no corpo, elas podem alcançar a corrente sanguínea e se depositar em diferentes tecidos, incluindo as paredes das artérias, onde podem interagir com processos inflamatórios já existentes.
Qual a relação entre microplásticos e artérias carótidas?
As artérias carótidas são responsáveis por transportar sangue oxigenado ao cérebro. Quando placas de gordura se acumulam nessas artérias, ocorre um quadro conhecido como ateromatose carotídea, que aumenta o risco de AVC isquêmico.
Pesquisas identificaram partículas de microplásticos e nanoplásticos dentro dessas placas ateroscleróticas, sugerindo que essas substâncias podem intensificar processos inflamatórios locais. Essa inflamação crônica pode contribuir para tornar as placas mais instáveis e propensas a romper, favorecendo a formação de coágulos.

O que o estudo publicado no New England mostrou?
As evidências mais robustas até o momento vêm de uma pesquisa italiana com pacientes submetidos à cirurgia para remoção de placas carotídeas. Segundo o estudo Microplastics and Nanoplastics in Atheromas and Cardiovascular Events, publicado na revista The New England Journal of Medicine, pacientes com microplásticos detectados nas placas apresentaram maior risco de infarto, AVC ou morte por qualquer causa ao longo de aproximadamente 34 meses de acompanhamento.
Vale destacar que os próprios autores reforçam que o achado é uma associação e não uma relação de causa e efeito comprovada. Outros fatores, como estilo de vida, exposições ambientais e condições clínicas prévias, também podem influenciar esses desfechos cardiovasculares.
Como reduzir os riscos cardiovasculares no dia a dia?
Embora seja praticamente impossível eliminar totalmente a exposição a microplásticos, é possível adotar hábitos que reduzem o risco global de doenças cardiovasculares. Veja algumas medidas recomendadas:
- Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais, fibras e gorduras saudáveis;
- Praticar atividade física regularmente, seguindo orientação profissional;
- Controlar pressão arterial, colesterol e glicemia com acompanhamento médico;
- Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
- Reduzir o uso de plásticos descartáveis, preferindo vidro ou aço inoxidável quando possível.
Essas medidas ajudam a proteger as artérias e a reduzir a formação de placas, que estão diretamente ligadas ao desenvolvimento da aterosclerose e de suas complicações. A adoção conjunta desses hábitos oferece benefícios amplos para o sistema cardiovascular.

Quando procurar avaliação médica?
Alguns sinais indicam a necessidade de atenção especial e avaliação profissional imediata. Confira as principais situações que exigem acompanhamento médico:
- Dor ou pressão no peito, especialmente durante esforço físico;
- Falta de ar, tontura ou desmaios sem causa aparente;
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou perda de visão, sinais de possível AVC;
- Histórico familiar de doenças cardiovasculares ou AVC;
- Colesterol alto, hipertensão ou diabetes já diagnosticados.
Nessas situações, é fundamental buscar atendimento médico o quanto antes, especialmente diante de sinais sugestivos de AVC, em que o tempo de intervenção é decisivo. Exames de rotina e acompanhamento regular com o cardiologista também ajudam a identificar riscos precocemente e definir estratégias adequadas de prevenção.
Se você percebe sinais de alerta ou tem fatores de risco cardiovasculares, procure orientação de um médico para uma avaliação individualizada e o encaminhamento adequado ao seu caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









