Sentir uma dor incômoda na parte externa do quadril, que se intensifica ao deitar sobre o lado dolorido, subir escadas ou passar longos períodos em pé, é uma queixa mais comum do que parece. Na maioria das vezes, o problema não está dentro da articulação, mas sim em estruturas ao redor, como tendões, bursas e músculos glúteos. Esse conjunto de sintomas costuma corresponder à síndrome dolorosa do grande trocânter, uma condição frequente, muitas vezes confundida com desgaste articular ou hérnia de disco, e que responde bem quando identificada cedo.
O que é a síndrome dolorosa do grande trocânter?
A síndrome dolorosa do grande trocânter é um conjunto de alterações que provocam dor na parte externa do quadril, sobre a saliência óssea do fêmur chamada trocânter maior. Envolve principalmente os tendões dos músculos glúteo médio e mínimo, além da bursa trocantérica, uma pequena bolsa que amortece o atrito entre osso e tendões.
É mais comum em mulheres entre 40 e 60 anos e costuma se manifestar como dor localizada, que pode irradiar para a lateral da coxa. Geralmente não afeta a articulação em si, o que a diferencia da artrose e de outras doenças articulares do quadril.
Por que a dor piora ao deitar de lado ou subir escadas?
Ao deitar sobre o lado dolorido, o peso do corpo comprime diretamente os tendões e a bursa contra o osso, aumentando a irritação local. Já ao deitar sobre o lado oposto, a perna de cima pende para dentro e também tensiona essas estruturas, o que explica noites mal dormidas em quem tem o problema.
Subir escadas, levantar-se da cadeira e permanecer em pé por muito tempo exigem contração intensa dos glúteos, sobrecarregando os tendões inflamados. Por isso, esses movimentos costumam desencadear picos de dor, algo raramente observado em quadros de artrose do quadril, em que o desconforto geralmente aparece na virilha.

Quais sintomas ajudam a diferenciar esse quadro?
Alguns sinais são bastante característicos e ajudam a distinguir a síndrome dolorosa do grande trocânter de outras causas de dor no quadril e na coluna. Os principais são:
- Dor localizada na parte lateral do quadril, sobre a saliência óssea do fêmur
- Sensibilidade ao toque na região, com dor ao pressionar o local
- Piora ao deitar sobre o lado afetado, atrapalhando o sono
- Desconforto ao subir escadas, levantar-se ou caminhar por longas distâncias
- Dor que pode irradiar para a lateral da coxa, mas raramente ultrapassa o joelho
- Ausência de dor na virilha, diferente do que ocorre na artrose
- Rigidez após períodos parada, que melhora com movimentos leves
Esse padrão de dor lateral, associado à sensibilidade local, é uma das principais pistas usadas pelo ortopedista para suspeitar do quadro já na consulta inicial, antes mesmo de exames de imagem.
O que dizem os estudos científicos sobre o problema?
A literatura médica é consistente ao apontar que a maior parte dos casos envolve alterações em tendões, sobretudo do glúteo médio e mínimo, e não desgaste da articulação. Segundo o capítulo Greater Trochanteric Pain Syndrome, publicado na base científica StatPearls do National Center for Biotechnology Information (NCBI), a condição engloba principalmente tendinopatia dos abdutores do quadril, bursite trocantérica e a chamada síndrome do quadril em ressalto externo.
Os autores destacam que a abordagem inicial costuma ser conservadora, com fisioterapia, ajustes de carga e controle da dor, reservando infiltrações e cirurgia para casos que não respondem ao tratamento clínico. O diagnóstico correto evita meses de exames desnecessários e favorece a recuperação.

Como aliviar a dor e proteger o quadril no dia a dia?
Algumas medidas simples podem reduzir a pressão sobre os tendões e a bursa, aliviando os sintomas enquanto a causa é investigada e tratada:
- Evitar dormir sobre o lado dolorido, usando um travesseiro entre as pernas ao deitar de lado
- Reduzir tempo prolongado em pé e evitar carregar peso extra durante as crises
- Aplicar compressas frias na região lateral do quadril por 15 a 20 minutos
- Fortalecer os glúteos com exercícios orientados por fisioterapeuta
- Alongar a musculatura da lateral da coxa e da região dos quadris
- Perder peso, quando indicado, para reduzir a sobrecarga sobre os tendões
- Usar calçados confortáveis e com bom amortecimento
- Buscar tratamento adequado em caso de bursite trocantérica ou tendinite confirmadas
Se a dor persistir por mais de algumas semanas, atrapalhar o sono com frequência, limitar a caminhada ou vier acompanhada de febre, inchaço importante ou histórico de queda, é indispensável procurar um ortopedista para avaliação. O diagnóstico precoce evita a progressão do quadro e favorece uma recuperação mais rápida.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvidas ou sintomas persistentes, consulte sempre um médico.









