Inchaço em apenas uma perna, sensação de peso no fim do dia e veias mais aparentes nem sempre são apenas retenção de líquidos. Em alguns casos, esses sinais podem estar ligados à síndrome de May-Thurner, uma compressão de veia na pelve que dificulta o retorno do sangue da perna para o coração.
O que é síndrome de May-Thurner
A síndrome de May-Thurner acontece quando a artéria ilíaca direita comprime a veia ilíaca esquerda contra a coluna. Essa veia ajuda a drenar o sangue da perna esquerda, e a pressão sobre ela pode deixar o fluxo mais lento.
Segundo a Cleveland Clinic, muitas pessoas não apresentam sintomas, mas outras podem ter dor, inchaço, sensação de peso, varizes e maior risco de trombose venosa profunda.

Sinais que merecem atenção
O sinal mais típico é o desconforto em uma perna só, principalmente à esquerda. O incômodo pode piorar após longos períodos em pé ou sentado.
- Inchaço em uma perna, geralmente no fim do dia;
- Sensação de peso, pressão ou cansaço na perna;
- Dor, latejamento ou desconforto ao caminhar;
- Veias dilatadas ou varizes mais evidentes;
- Alteração de cor na pele ou sensação de calor local.
Como esses sintomas também podem ocorrer em varizes, linfedema, insuficiência venosa e trombose venosa profunda, a avaliação médica é importante quando o inchaço é persistente ou unilateral.
Por que não é só retenção
A retenção de líquidos costuma afetar as duas pernas de forma mais parecida, especialmente tornozelos e pés. Já na síndrome de May-Thurner, o problema está em uma compressão mecânica da veia, o que tende a causar sintomas mais marcados de um lado.
Além disso, o sangue parado por mais tempo pode favorecer a formação de coágulos. Por isso, inchaço súbito, dor forte, vermelhidão ou falta de ar precisam ser avaliados com urgência.
O que diz um estudo científico
A relação entre a síndrome e trombose ainda exige decisões individualizadas de tratamento. Segundo a revisão sistemática May-Thurner syndrome and thrombosis: A systematic review of antithrombotic use after endovascular stent placement, publicada na Research and Practice in Thrombosis and Haemostasis, a evidência sobre o melhor anticoagulante e o tempo ideal de uso após colocação de stent ainda é limitada.
A revisão analisou estudos pequenos e retrospectivos, mostrando que há benefício potencial em restaurar o fluxo da veia em casos selecionados, mas que o acompanhamento deve considerar risco de trombose, sintomas, exames de imagem e histórico individual.

Como investigar e tratar
O diagnóstico pode envolver ultrassom Doppler, angiotomografia, angiorressonância, venografia ou ultrassom intravascular. Esses exames ajudam a identificar se há compressão significativa da veia e se existe trombose associada.
- Procurar atendimento se o inchaço for novo ou unilateral;
- Relatar dor, peso, varizes e mudanças na cor da pele;
- Evitar longos períodos parado sem orientação médica;
- Usar meias de compressão apenas se forem indicadas;
- Seguir avaliação com angiologista ou cirurgião vascular.
O tratamento pode incluir medidas para melhorar a circulação, anticoagulantes quando há trombose e, em alguns casos, angioplastia com stent para manter a veia aberta. Nem toda compressão vista em exame precisa de procedimento.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









