Notar rachaduras, vermelhidão e ardência nos cantos dos lábios, muitas vezes de forma recorrente e sempre na mesma região, nem sempre é sinal de que os lábios estão apenas ressecados. Esse padrão pode indicar queilite angular, popularmente conhecida como boqueira, uma inflamação da pele nos ângulos da boca. O quadro pode envolver acúmulo de saliva, fungos, bactérias, próteses dentárias mal ajustadas e deficiências nutricionais. Reconhecer os sinais ajuda a evitar a automedicação e a buscar o profissional certo para tratar a causa real do problema.
O que é a queilite angular?
A queilite angular é uma dermatose inflamatória que atinge a junção da pele com a mucosa dos lábios, geralmente em um ou nos dois cantos da boca. As lesões costumam aparecer como fissuras, vermelhidão, descamação e, em alguns casos, crostas.
Diferentemente de um simples ressecamento passageiro, a queilite angular tende a durar mais tempo, arder ao abrir a boca ou comer alimentos ácidos e voltar sempre na mesma região quando a causa não é tratada.
Quais sintomas costumam aparecer?
Os sinais são bastante característicos e ajudam a diferenciar de outras lesões da região labial. Reconhecê-los facilita a busca por avaliação.
- Rachaduras ou fissuras nos cantos da boca
- Vermelhidão e inchaço na região comissural
- Ardência ao abrir a boca, falar, comer ou bocejar
- Descamação e crostas, às vezes com aparência esbranquiçada
- Dor localizada ao contato com alimentos ácidos ou salgados
- Recidiva sempre na mesma região, mesmo após melhora inicial
- Sangramento leve em algumas fissuras mais profundas
Esses sinais correspondem ao padrão descrito para a queilite angular, condição que pode ser confundida com herpes labial ou simples lábios rachados.

Quais são as causas mais comuns?
A origem é frequentemente multifatorial, envolvendo umidade constante no canto da boca e microrganismos que se aproveitam desse ambiente. Fatores locais e sistêmicos podem se somar e favorecer as crises.
Entre as causas mais frequentes estão:
- Acúmulo de saliva no canto da boca, comum em quem baba ao dormir ou lambe os lábios
- Infecção por fungos, especialmente Candida albicans
- Infecção por bactérias, principalmente Staphylococcus aureus
- Próteses dentárias mal ajustadas ou perda de dentes que altera a oclusão
- Deficiências nutricionais, como falta de vitamina B12, ferro, zinco ou ácido fólico
- Doenças que afetam a imunidade, como diabetes descompensado
- Uso de aparelhos ortodônticos ou hábito de lamber os lábios
O que dizem os estudos científicos?
Publicações recentes reforçam que a queilite angular tem etiologia mista e exige avaliação cuidadosa antes do tratamento. Uma revisão detalhou os aspectos clínicos e diagnósticos dessa condição.
Segundo a revisão Angular cheilitis—an oral disease with many facets publicada na Wiener Medizinische Wochenschrift, a queilite angular apresenta origem mista, com componentes bacterianos e fúngicos frequentes, e pode ser sinal de uma doença de base ainda não diagnosticada. Os autores destacam ainda dois picos de frequência, um na infância e outro na vida adulta, com aumento importante conforme o envelhecimento, o que reforça a relevância clínica em geriatria, odontologia e dermatologia.

Como é feito o tratamento?
A abordagem varia conforme a causa identificada, o que reforça a importância da avaliação profissional antes de qualquer medicação. O uso de antifúngicos, antibióticos ou corticoides por conta própria pode mascarar sintomas e piorar a lesão quando o agente é diferente do suspeito.
Entre as medidas que costumam fazer parte do cuidado estão:
- Pomadas ou cremes prescritos, com ação antifúngica, antibiótica ou anti-inflamatória, conforme a causa
- Ajuste de próteses dentárias ou reposição de dentes ausentes
- Correção de deficiências nutricionais, com orientação médica ou nutricional
- Higiene bucal cuidadosa, com escovação e uso de fio dental
- Hidratação labial e proteção com bálsamos indicados pelo profissional
- Evitar lamber os lábios ou mantê-los úmidos por longos períodos
- Controle de doenças de base, como diabetes, quando presentes
Quando a lesão persiste por mais de duas semanas, volta sempre no mesmo lugar ou vem acompanhada de outros sintomas, a investigação de ferida no canto da boca pelo dentista, dermatologista ou clínico geral é fundamental para identificar a causa. Em quadros específicos, também pode ser útil consultar informações sobre boqueira para entender melhor a condição.
Se você percebe rachaduras e ardência no canto da boca que voltam com frequência, procure um dentista ou dermatologista para avaliação detalhada, identificação da causa e definição do tratamento mais adequado ao seu caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









