O montelucaste é um medicamento usado para controlar asma e rinite alérgica, inclusive em crianças. Apesar de ser útil em muitos casos, ele ganhou uma advertência reforçada da FDA por risco de efeitos na saúde mental, como pesadelos, irritabilidade, ansiedade, alterações de humor e pensamentos suicidas.
O que é o montelucaste
O montelucaste age bloqueando substâncias inflamatórias chamadas leucotrienos, que participam da falta de ar, chiado no peito e inflamação das vias respiratórias. Ele não é um remédio de alívio imediato para crise de asma.
Em geral, é prescrito para prevenir sintomas, reduzir crises e ajudar no controle da rinite alérgica. O alerta não significa que toda criança terá reação, mas mostra que mudanças de comportamento durante o uso precisam ser levadas a sério.
Por que a FDA reforçou o alerta
A FDA exigiu uma advertência em destaque na bula do montelucaste após revisar relatos de efeitos colaterais graves relacionados a comportamento e humor. A agência também recomendou limitar o uso para rinite alérgica quando outras opções não funcionam ou não são toleradas.
O cuidado é maior em crianças porque sinais como medo noturno, agressividade, insônia ou tristeza podem ser interpretados como “fase” ou estresse. Quando aparecem logo após iniciar o remédio, ou pioram durante o tratamento, devem ser comunicados ao pediatra.

O que um estudo científico encontrou
Um estudo ajuda a entender por que esse alerta ganhou força na prática clínica. Ele analisou crianças asmáticas que começaram a usar montelucaste e acompanhou reações neuropsiquiátricas relatadas pelas famílias, incluindo sintomas de sono e comportamento.
Segundo o estudo de coorte retrospectivo Neuropsychiatric adverse drug reactions in children initiated on montelukast in real-life practice, publicado no European Respiratory Journal, 16% das crianças avaliadas interromperam o medicamento por reações neuropsiquiátricas, principalmente irritabilidade, agressividade e distúrbios do sono, geralmente nas primeiras duas semanas.
Sinais para observar em crianças
Durante o uso do montelucaste, pais e cuidadores devem observar mudanças que fogem do comportamento habitual da criança, mesmo que pareçam leves no começo.
- Pesadelos, terror noturno ou sono muito agitado;
- Irritabilidade, agressividade ou choro fora do padrão;
- Ansiedade, medo intenso ou tristeza persistente;
- Agitação, hiperatividade ou dificuldade para dormir;
- Falas sobre morte, automutilação ou pensamentos suicidas.

Como conversar com o médico
O mais importante é não tratar a advertência como motivo para pânico, nem ignorar sintomas. O médico pode avaliar riscos, benefícios e alternativas, especialmente quando o remédio foi indicado para rinite alérgica leve.
- Informe quando o montelucaste foi iniciado e a dose usada;
- Anote a data em que surgiram pesadelos ou mudanças de humor;
- Avise sobre histórico de ansiedade, depressão ou alterações do sono;
- Procure atendimento imediato se houver comportamento de risco ou fala suicida.
Em caso de sintomas comportamentais importantes, não aumente a dose nem combine medicamentos por conta própria. A decisão de suspender, trocar ou manter o tratamento deve ser feita com orientação profissional, considerando o controle da asma e a segurança da criança.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









