A deficiência de tiamina, também chamada de falta de vitamina B1, pode surgir após a cirurgia bariátrica e afetar nervos, músculos e coração. Como o corpo armazena pouca tiamina, sintomas como cansaço intenso, inchaço nas pernas e coração acelerado merecem atenção, principalmente quando vêm acompanhados de vômitos, baixa ingestão alimentar ou perda rápida de peso.
Por que a tiamina pode faltar
A tiamina participa da produção de energia e do funcionamento do sistema nervoso. Depois da bariátrica, o risco aumenta porque a pessoa pode comer menos, absorver nutrientes com mais dificuldade ou não tolerar bem os suplementos prescritos.
Segundo os Manuais MSD, a deficiência pode causar alterações cardiovasculares, como taquicardia, edema e congestão, além de sinais neurológicos. Isso explica por que a falta dessa vitamina pode parecer apenas fraqueza no início.

Sinais que pedem alerta
Os sintomas podem começar de forma discreta e piorar se a reposição não for feita a tempo. A atenção deve ser maior nos primeiros meses após a cirurgia, mas a deficiência também pode aparecer mais tarde em quem mantém baixa ingestão ou vômitos recorrentes.
- Cansaço fora do esperado, fraqueza ou falta de energia.
- Inchaço nas pernas ou sensação de peso no corpo.
- Coração acelerado, palpitações ou falta de ar.
- Formigamento, queimação ou dormência nos pés e mãos.
- Confusão mental, desequilíbrio ou visão dupla, que exigem avaliação rápida.
O que diz o estudo científico
A relação entre cirurgia gástrica e deficiência de vitamina B1 foi discutida na revisão científica Pathophysiology, prevention, and treatment of beriberi after gastric surgery, publicada na Nutrition Reviews. O trabalho descreve que o beribéri, doença causada pela falta de tiamina, pode ocorrer semanas a meses após cirurgia gástrica, especialmente quando há vômitos persistentes, má alimentação ou falha na suplementação.
O estudo também reforça que a deficiência pode afetar tanto o sistema nervoso quanto o coração. Na prática, isso ajuda a entender por que sintomas aparentemente separados, como formigamento, inchaço e taquicardia, podem ter a mesma origem nutricional.
Quem tem maior risco
Nem toda pessoa operada terá falta de tiamina, mas alguns fatores aumentam bastante a chance de deficiência. Eles devem ser relatados nas consultas de acompanhamento, mesmo que pareçam detalhes simples.
- Vômitos frequentes ou dificuldade para manter alimentos e líquidos.
- Perda de peso muito rápida após a cirurgia.
- Uso irregular do polivitamínico indicado pela equipe.
- Baixa ingestão de alimentos por intolerância, náuseas ou medo de comer.
- Consumo excessivo de álcool, que prejudica a absorção e o uso da vitamina.

Como prevenir complicações
A prevenção depende de acompanhamento regular com equipe de bariátrica, exames quando indicados e uso correto dos suplementos. Se houver suspeita de deficiência, a reposição de tiamina deve ser orientada rapidamente, pois atrasos podem aumentar o risco de sequelas neurológicas.
Não é recomendado ajustar doses por conta própria ou trocar o suplemento sem orientação. Para entender melhor as funções dessa vitamina e suas fontes alimentares, veja o conteúdo do Tua Saúde sobre vitamina B1.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento indicado por um médico.









