A bexiga hiperativa causa urgência para urinar, aumento da frequência urinária, noctúria e, em alguns casos, perda de urina antes de chegar ao banheiro. O tratamento pode envolver remédios, mas um grande estudo reacendeu o alerta sobre alguns anticolinérgicos, especialmente em pessoas mais velhas.
Qual remédio entrou no alerta
O estudo não apontou apenas um medicamento, mas uma classe usada para reduzir contrações da bexiga. Entre os anticolinérgicos avaliados, a associação mais forte com demência apareceu com oxibutinina, além de solifenacina e tolterodina.
Esses remédios bloqueiam a ação da acetilcolina, substância envolvida tanto nas contrações da bexiga quanto em funções do cérebro, como atenção e memória. Por isso, o uso prolongado em adultos mais velhos exige avaliação cuidadosa.

O que o estudo científico encontrou
Segundo o estudo caso-controle aninhado Risk of dementia associated with anticholinergic drugs for overactive bladder in adults aged ≥55 years, publicado no BMJ Medicine, foram analisadas 170.742 pessoas com diagnóstico de demência e 804.385 controles sem demência na Inglaterra.
O uso de qualquer anticolinérgico para bexiga hiperativa foi associado a maior chance de demência, com razão de chances ajustada de 1,18. O risco foi mais evidente para oxibutinina, solifenacina e tolterodina, enquanto outros medicamentos tiveram associação menos clara ou não significativa.
Quando desconfiar de bexiga hiperativa
A bexiga hiperativa não é apenas “urinar muito”. O quadro envolve urgência, dificuldade de segurar a urina e impacto na rotina, no sono e na vida social.
- Vontade súbita de urinar, difícil de controlar;
- Ir ao banheiro muitas vezes durante o dia;
- Acordar várias vezes à noite para urinar;
- Perda de urina antes de chegar ao banheiro;
- Evitar sair de casa por medo de não encontrar banheiro.
Quais alternativas existem
Antes de manter um remédio por anos, o médico pode revisar dose, tempo de uso e opções com menor carga anticolinérgica. A escolha depende da idade, memória, risco de quedas, prisão de ventre, glaucoma, outros medicamentos e gravidade dos sintomas.
- Treino da bexiga, com horários programados para urinar;
- Fisioterapia do assoalho pélvico;
- Redução de cafeína, álcool e líquidos perto de dormir;
- Medicamentos beta-3 agonistas, como mirabegrona ou vibegrona, quando indicados;
- Toxina botulínica na bexiga ou neuromodulação em casos selecionados.

Como revisar o tratamento com segurança
Quem usa oxibutinina, solifenacina, tolterodina ou outro remédio para bexiga hiperativa não deve parar por conta própria. A suspensão repentina pode piorar urgência, perdas urinárias e qualidade de vida, além de não resolver sozinha o risco individual.
O ideal é levar a lista completa de medicamentos à consulta e discutir memória, sonolência, boca seca, prisão de ventre e quedas. Para entender melhor sintomas e cuidados, veja também o conteúdo sobre bexiga hiperativa.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento indicado por um médico.









