O surgimento de uma mancha na pele que não sente direito o calor, o frio ou a dor é um dos primeiros e mais característicos sinais da hanseníase, doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Antes conhecida como lepra, a condição afeta a pele e os nervos periféricos, e a redução da sensibilidade acontece porque a bactéria compromete as terminações nervosas da região atingida. O diagnóstico precoce evita sequelas permanentes, e o tratamento é gratuito, oferecido pelo Sistema Único de Saúde, com cura garantida quando seguido corretamente.
Como a hanseníase provoca a perda de sensibilidade?
A bactéria Mycobacterium leprae tem preferência por atacar os nervos periféricos, estruturas responsáveis por levar informações de tato, temperatura e dor ao cérebro. Quando essas fibras nervosas são invadidas, a condução dos estímulos fica prejudicada, e a região da mancha deixa de responder normalmente a esses estímulos.
A perda de sensibilidade costuma começar de forma sutil e progressiva. Primeiro, o local não percebe bem variações de temperatura; depois, deixa de reagir à dor e ao toque, o que aumenta o risco de queimaduras e ferimentos despercebidos.
Como são as manchas causadas pela doença?
As lesões da hanseníase têm características próprias que ajudam a diferenciá-las de outras condições de pele, como micoses, vitiligo ou alergias. Reconhecer o padrão dessas manchas da hanseníase é o primeiro passo para buscar avaliação médica adequada.
Fique atento aos aspectos mais comuns das manchas provocadas pela doença:
- Cor esbranquiçada, avermelhada ou amarronzada, com bordas irregulares
- Perda ou redução da sensibilidade ao calor, frio, tato e dor no local
- Diminuição da sudorese na área afetada, deixando a pele mais seca
- Queda de pelos na região da mancha
- Formato oval ou arredondado, geralmente sem coceira
- Localização variada, atingindo braços, pernas, costas, rosto ou nádegas

Quais outros sinais podem indicar o envolvimento dos nervos?
Além das manchas, a hanseníase pode provocar alterações nervosas mais profundas quando não é tratada. Formigamento, dor em pontadas, sensação de agulhadas e fraqueza muscular nos braços, mãos, pernas ou pés são sinais de que os nervos periféricos estão sendo afetados.
Em fases avançadas, pode ocorrer perda de força para segurar objetos, dificuldade para caminhar, alterações no rosto e feridas indolores nas mãos e pés, aumentando o risco de deformidades permanentes.
O que diz um estudo científico sobre a perda de sensibilidade térmica?
A investigação da sensibilidade da pele é um dos pilares do diagnóstico precoce da hanseníase, e a ciência já demonstrou qual tipo de sensação se perde primeiro. Segundo o estudo Degree of Skin Denervation and Its Correlation to Objective Thermal Sensory Test in Leprosy Patients, publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases, a perda da sensibilidade térmica precede a perda da sensibilidade tátil nas lesões de hanseníase. Isso ocorre porque as fibras nervosas finas, responsáveis por detectar calor e frio, são afetadas antes das fibras mais espessas ligadas ao tato. Por isso, testar se a mancha percebe temperatura é um critério essencial para o diagnóstico em fase inicial.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O diagnóstico é feito principalmente pelo dermatologista ou infectologista, com avaliação clínica das manchas, testes de sensibilidade, palpação dos nervos e, quando necessário, biópsia de pele ou baciloscopia. É importante saber quais são os especialistas em hanseníase para procurar o serviço adequado.
O tratamento da hanseníase é feito com poliquimioterapia, que combina os antibióticos rifampicina, dapsona e clofazimina, por um período de 6 a 12 meses. A medicação é fornecida gratuitamente pelo SUS e, quando iniciada logo nos primeiros sintomas, garante a cura completa e evita sequelas.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Diante de manchas na pele com alteração de sensibilidade ou qualquer sintoma suspeito, procure orientação médica qualificada para diagnóstico e tratamento adequados.









