Acordar sem ouvir de um lado, atender o telefone e perceber que a voz do outro parece distante ou sentir o ouvido abafado sem motivo aparente pode ser mais do que um simples excesso de cera. A perda auditiva súbita unilateral é considerada uma urgência em otorrinolaringologia e exige avaliação rápida, pois esperar o sintoma passar sozinho pode reduzir de forma significativa as chances de recuperar a audição comprometida.
O que é a perda auditiva súbita unilateral?
A perda auditiva súbita é uma redução moderada a grave da audição que se instala em até 72 horas, geralmente em apenas um ouvido. Costuma ser percebida ao acordar, ao atender o telefone ou em situações silenciosas do dia a dia.
Diferente da perda gradual associada ao envelhecimento, o quadro é abrupto e pode vir acompanhado de zumbido, sensação de ouvido cheio ou tontura. É uma condição descrita na literatura médica como emergência otológica, pois envolve estruturas do ouvido interno e do nervo auditivo.
Por que a perda auditiva súbita raramente é causada por cera?
A cera acumulada geralmente provoca abafamento progressivo, coceira ou sensação de plenitude, sintomas que aparecem aos poucos e melhoram com a limpeza feita pelo otorrinolaringologista. Já a perda súbita se instala em horas e costuma envolver o ouvido interno, não o canal externo.
Entre as causas mais frequentes estão infecções virais, alterações vasculares no ouvido interno, doenças autoimunes, traumas acústicos e, em uma parcela menor dos casos, tumores benignos como o schwannoma vestibular, o que reforça a necessidade de investigação especializada em vez de tentar resolver o problema em casa.

Quais sinais indicam que é preciso procurar atendimento rápido?
Alguns sintomas sugerem que a queda da audição não é passageira e exige avaliação médica imediata, de preferência ainda nas primeiras 72 horas. Os principais sinais de alerta são:
- Redução repentina da audição em um ouvido, percebida ao acordar ou ao usar o telefone;
- Sensação de ouvido tampado ou abafado que não melhora com bocejo, deglutição ou limpeza;
- Zumbido intenso e persistente que surge junto com a perda auditiva;
- Tontura ou vertigem associadas à alteração da audição;
- Dificuldade para entender a fala, principalmente em ambientes com ruído;
- Perda auditiva progressiva em poucas horas ou dias, sem histórico de infecção recente.
Diante desses sinais, procurar um otorrinolaringologista para avaliar as possíveis causas da surdez é o passo mais importante para preservar a função auditiva.
O que estudo científico mostra sobre o tempo de tratamento?
O tempo entre o início dos sintomas e a primeira consulta influencia diretamente o prognóstico. Segundo o estudo Prognosis of Audiologic Recovery From Sudden Sensorineural Hearing Loss Following Corticosteroid Intervention publicado no periódico Otolaryngology–Head and Neck Surgery, iniciar o tratamento com corticoides em até 14 dias após o surgimento da perda auditiva está associado a maior chance de recuperação audiológica.
O trabalho analisou mais de 400 pacientes e reforça que a rapidez na avaliação é um dos fatores mais determinantes do resultado, independentemente do esquema medicamentoso escolhido pelo especialista.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento da surdez súbita?
O diagnóstico envolve a avaliação otorrinolaringológica com otoscopia, audiometria tonal e vocal e, quando indicado, ressonância magnética para descartar causas como tumores do nervo auditivo. Esses exames ajudam a definir o grau da perda e a orientar a conduta terapêutica.
O tratamento mais utilizado é a corticoterapia, oral ou por injeção intratimpânica, e pode ser complementado com repouso, controle de fatores de risco e reabilitação auditiva quando necessário, informações que se somam ao conteúdo sobre surdez súbita e sobre o tratamento para zumbido no ouvido, sintoma frequentemente associado ao quadro.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Diante de qualquer perda auditiva repentina, procure um otorrinolaringologista o quanto antes para diagnóstico e tratamento adequados.









