Perder alguns fios por dia faz parte do ciclo natural do cabelo, mas quando a queda se torna intensa e persistente, muita gente atribui o problema apenas ao estresse. Embora o eflúvio telógeno realmente possa ser desencadeado por sobrecarga emocional, é comum que outras causas passem despercebidas, como hipotireoidismo, hipertireoidismo, deficiência de ferro, ferritina baixa e falta de vitamina D ou zinco. Investigar essas possibilidades com exames simples é essencial para identificar a origem do problema e evitar tratamentos que atacam apenas o sintoma sem corrigir o gatilho real.
Por que o estresse é apenas uma das causas da queda de cabelo?
O estresse físico ou emocional intenso pode antecipar a fase de queda do ciclo capilar, provocando o chamado eflúvio telógeno, que costuma se manifestar dois a três meses após o evento estressor. Trata-se de uma condição reversível, mas não é a única explicação para a perda de fios.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, alterações hormonais, doenças autoimunes, medicamentos, dietas restritivas e deficiências nutricionais também comprometem o folículo capilar. Atribuir a queda apenas ao estresse pode adiar diagnósticos importantes e prolongar o problema.
Como a tireoide influencia a saúde dos fios?
Os hormônios da tireoide regulam o metabolismo de praticamente todas as células do corpo, incluindo as do folículo piloso. Quando a glândula funciona abaixo do esperado, no hipotireoidismo, o crescimento dos fios se torna mais lento e a queda aumenta de forma difusa.
No hipertireoidismo, o excesso de hormônios acelera o metabolismo e também pode causar afinamento e queda dos cabelos. Outros sintomas de hipotireoidismo, como cansaço, ganho de peso, pele seca e prisão de ventre, costumam acompanhar o quadro e ajudam a levantar a suspeita clínica.

Como uma revisão científica confirma o papel das deficiências nutricionais?
A ciência é clara ao mostrar que carências de vitaminas e minerais estão diretamente ligadas a diferentes tipos de alopecia. Segundo a revisão The Role of Vitamins and Minerals in Hair Loss, publicada no periódico Dermatology and Therapy, deficiências de ferro, vitamina D, zinco e vitaminas do complexo B estão associadas a formas não cicatriciais de queda capilar, como o eflúvio telógeno e a alopecia androgenética.
Os autores reforçam que a reposição desses nutrientes deve ser feita apenas após confirmação laboratorial, já que o uso indiscriminado de suplementos pode ser ineficaz ou até prejudicial. A investigação personalizada é o caminho mais seguro.
Quais deficiências nutricionais estão mais associadas à queda de cabelo?
Alguns micronutrientes exercem papel direto no ciclo de crescimento dos fios, e sua falta pode enfraquecer o folículo e aumentar a queda. As deficiências mais frequentemente envolvidas são:
- Ferro e ferritina baixa, que reduzem a oxigenação do folículo e são especialmente comuns em mulheres em idade fértil
- Vitamina D, importante para a diferenciação das células do folículo piloso e frequentemente reduzida em quem tem pouca exposição solar
- Zinco, essencial para a síntese proteica e a manutenção da estrutura do fio
- Vitamina B12 e ácido fólico, envolvidos na produção celular e cuja falta prejudica o crescimento capilar
- Biotina, cuja deficiência, embora rara, está associada a fios finos e quebradiços
- Proteínas, matéria-prima da queratina que compõe o cabelo, muitas vezes deficientes em dietas restritivas
Outros fatores hormonais, como alterações no pós-parto, menopausa e síndrome dos ovários policísticos, também contribuem para a queda de cabelo e devem ser considerados na avaliação clínica.

Quais exames ajudam a identificar a causa da queda de cabelo?
A investigação começa com uma conversa detalhada sobre hábitos, alimentação, uso de medicamentos e histórico familiar, seguida por exames laboratoriais que orientam o diagnóstico. Os principais exames solicitados são:
- Hemograma completo, para identificar anemia e alterações nas células sanguíneas
- Ferritina, ferro sérico e saturação de transferrina, que avaliam os estoques e o transporte de ferro no organismo
- TSH e T4 livre, essenciais para investigar hipotireoidismo e hipertireoidismo
- Vitamina D, cuja deficiência é frequente e associada a queda difusa
- Vitamina B12 e ácido fólico, marcadores nutricionais importantes
- Zinco sérico, indicado quando há suspeita de deficiência específica
- Perfil hormonal, incluindo prolactina e andrógenos, em casos selecionados
Com os resultados em mãos, o dermatologista pode indicar tratamento direcionado, que vai desde reposição nutricional e ajuste hormonal até medicamentos tópicos, orais ou procedimentos como microagulhamento e mesoterapia capilar, evitando abordagens genéricas ineficazes.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizados por profissional de saúde qualificado. Em caso de queda de cabelo persistente, procure orientação médica.









