A trombose pode surgir após uma viagem longa, especialmente quando a pessoa passa muitas horas sentada e quase não movimenta as pernas. Dor, inchaço e sensação de peso em apenas uma perna não devem ser vistos sempre como cansaço, pois podem indicar um coágulo em uma veia profunda.
Por que viagens longas aumentam o risco
Durante viagens de avião, carro, ônibus ou trem, ficar imóvel por muito tempo pode reduzir a circulação nas pernas. Esse acúmulo de sangue nas veias favorece a formação de coágulos, principalmente em quem já tem fatores de risco.
Segundo o CDC, viagens com mais de 4 horas podem aumentar o risco de coágulos, embora o risco geral seja pequeno. A chance é maior em pessoas com obesidade, idade acima de 40 anos, câncer, gravidez, uso de hormônios, cirurgia recente ou histórico de trombose.

Sinais de trombose na perna
A trombose venosa profunda costuma afetar apenas um lado do corpo. Por isso, a comparação entre as pernas pode ajudar a perceber alterações suspeitas após uma viagem longa.
- Inchaço em uma perna, principalmente na panturrilha ou tornozelo;
- Dor ou sensibilidade sem causa clara, que pode piorar ao caminhar;
- Pele mais quente no local afetado;
- Vermelhidão ou mudança na cor da pele;
- Sensação de peso, aperto ou desconforto persistente.
Esses sintomas podem ser leves no início. Em alguns casos, a trombose não causa sinais evidentes, o que torna importante valorizar mudanças incomuns após períodos prolongados sentado.
O que diz um estudo científico
A ligação entre viagens longas e trombose foi analisada na revisão sistemática Travel and venous thrombosis: a systematic review, publicada no Journal of Internal Medicine. O trabalho avaliou estudos epidemiológicos e fisiológicos sobre trombose venosa associada a viagens.
Segundo a revisão, viagens de longa distância aumentaram o risco de trombose venosa em aproximadamente duas a quatro vezes. O estudo também observou que o risco absoluto de um evento sintomático nas 4 semanas após voos com mais de 4 horas foi baixo, mas aumentou em pessoas com fatores adicionais de risco.
Como reduzir o risco em viagens
Alguns cuidados simples ajudam a estimular a circulação e podem ser úteis, principalmente em trajetos longos ou quando a pessoa tem fatores de risco para trombose.
- Levantar e caminhar quando possível;
- Fazer movimentos com os pés e panturrilhas enquanto estiver sentado;
- Evitar roupas muito apertadas nas pernas e cintura;
- Beber água ao longo da viagem;
- Conversar com o médico sobre meia de compressão se houver risco aumentado.
Aspirina ou anticoagulantes não devem ser usados por conta própria para prevenir trombose em viagens. Para entender melhor os tipos, sintomas e tratamento, veja também o conteúdo sobre trombose.

Quando procurar atendimento
Procure atendimento médico se houver dor e inchaço em apenas uma perna após viagem longa, especialmente se a região estiver quente, avermelhada ou sensível. A avaliação pode incluir exame físico e ultrassom para verificar a presença de coágulos.
Busque emergência se, além dos sintomas na perna, surgirem falta de ar, dor no peito, batimentos acelerados, tosse com sangue, tontura ou desmaio. Esses sinais podem indicar embolia pulmonar, uma complicação grave da trombose.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









