A síndrome do túnel do carpo é a neuropatia compressiva mais comum dos membros superiores e afeta diretamente a rotina de quem depende das mãos para trabalhar, dirigir ou realizar tarefas simples do dia a dia. Costuma ser confundida com tendinite no punho, mas a origem é diferente: ocorre pela compressão do nervo mediano dentro do canal formado pelos ossos e ligamentos do punho. Reconhecer o padrão dos sintomas, especialmente o formigamento e a dormência que pioram à noite, é essencial para buscar tratamento adequado e evitar a progressão para casos graves, que podem levar à perda de força e atrofia muscular.
O que é a síndrome do túnel do carpo?
A síndrome do túnel do carpo ocorre quando o nervo mediano, que passa por um canal estreito no punho, é comprimido de forma contínua. Esse nervo é responsável pela sensibilidade do polegar, indicador, dedo médio e parte do anelar, além de comandar músculos da base do polegar.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, a condição afeta cerca de 3% a 6% da população adulta, sendo mais comum em mulheres, especialmente após os 40 anos, gestantes e pessoas que realizam movimentos repetitivos com as mãos.
Como diferenciar do quadro de tendinite comum no punho?
A tendinite é a inflamação de um tendão do punho, causando dor localizada, inchaço e desconforto ao movimentar a articulação. Já a síndrome do túnel do carpo envolve o nervo mediano e produz um conjunto de sintomas neurológicos que a tendinite não apresenta.
A dor da tendinite costuma piorar com o movimento e ceder com o repouso, enquanto os sintomas do túnel do carpo costumam se intensificar à noite e afetar a sensibilidade das mãos. Conheça os principais sintomas de síndrome do túnel do carpo para diferenciar corretamente.

Quais são os principais sinais de compressão do nervo mediano?
Os sintomas costumam surgir de forma gradual e se agravar com o passar dos meses. Reconhecê-los precocemente é o primeiro passo para evitar que a compressão do nervo cause danos permanentes.
- Formigamento e dormência no polegar, indicador, médio e parte do anelar;
- Sensação de choque ou queimação nas mãos, principalmente à noite;
- Necessidade de sacudir ou pendurar a mão para aliviar o desconforto;
- Dor no punho que pode irradiar para o antebraço e ombro;
- Perda de força para segurar objetos, com queda frequente de itens leves;
- Dificuldade para realizar movimentos finos, como abotoar uma camisa.
Em casos avançados, pode ocorrer atrofia da musculatura da base do polegar, sinal de comprometimento neurológico que exige avaliação imediata e pode levar à indicação de cirurgia para túnel do carpo.
O que diz o estudo científico sobre o tratamento?
A escolha entre tratamento conservador e cirúrgico depende da intensidade dos sintomas, do tempo de evolução e da resposta às primeiras medidas. Pesquisas recentes ajudam a esclarecer quando cada abordagem oferece melhores resultados a curto e longo prazo.
Segundo a meta-análise Comparison of the Short-Term and Long-Term Effects of Surgery and Nonsurgical Intervention in Treating Carpal Tunnel Syndrome, publicada na revista HAND e indexada no PubMed, a cirurgia mostrou-se superior à órtese e à infiltração com corticoide na melhora funcional e no alívio dos sintomas em seis meses, especialmente em casos moderados a graves. A revisão reforça o tratamento conservador como primeira linha em quadros leves, com boa resposta em muitos pacientes.

Como é feito o tratamento da síndrome do túnel do carpo?
O tratamento é escalonado e definido pelo ortopedista ou cirurgião de mão conforme a gravidade do quadro. Casos leves a moderados costumam responder bem a medidas conservadoras, que devem ser mantidas por algumas semanas antes de se considerar a cirurgia. A avaliação clínica pode ser complementada com testes específicos e, em algumas situações, exames como a eletroneuromiografia, que também ajudam a diferenciar o quadro de uma tenossinovite no punho.
- Uso de órtese noturna para manter o punho em posição neutra durante o sono;
- Fisioterapia com exercícios de deslizamento neural, mobilização e fortalecimento;
- Anti-inflamatórios orais para alívio sintomático de curto prazo;
- Infiltração local com corticosteroide, indicada em quadros com dor intensa;
- Adaptações ergonômicas no trabalho e pausas em atividades repetitivas;
- Cirurgia de liberação do ligamento transverso do carpo em casos avançados ou refratários.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um ortopedista ou cirurgião de mão diante de sintomas persistentes ou suspeita de síndrome do túnel do carpo.









