A pré-eclâmpsia é uma complicação séria que atinge entre 3% e 8% das gestações no Brasil e está entre as principais causas de morte materna no país. Ela costuma surgir após a 20ª semana e se caracteriza pelo aumento da pressão arterial associado a sinais de comprometimento de órgãos como rins, fígado e cérebro. O grande desafio é diferenciar seus sinais de queixas comuns da gravidez, como o inchaço nos pés, para que o tratamento seja iniciado o quanto antes e não haja risco para a mãe e o bebê.
O que é a pré-eclâmpsia?
A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, definida por pressão arterial igual ou superior a 140×90 mmHg em duas medidas, associada a proteinúria ou a sinais de disfunção em outros órgãos.
Ela ocorre por alterações na formação da placenta e da resposta inflamatória materna, o que reduz o fluxo sanguíneo para o útero. Sem tratamento, pode evoluir para eclâmpsia, síndrome HELLP e outras complicações graves, incluindo situações como eclâmpsia no pós-parto.
Como diferenciar o inchaço comum do sinal de pré-eclâmpsia?
O inchaço nos pés e tornozelos ao final do dia é frequente na gravidez, causado pela retenção de líquidos e pela compressão dos vasos pelo útero. Ele geralmente melhora com repouso, elevação das pernas e hidratação.
Já o inchaço da pré-eclâmpsia costuma ser súbito e mais intenso, atinge rosto e mãos, não alivia com o descanso e vem acompanhado de ganho de peso rápido, superior a 1 kg em uma semana, o que exige avaliação médica imediata.

Quais são os sinais de alerta?
De acordo com a Febrasgo e o Ministério da Saúde, alguns sintomas indicam risco de pré-eclâmpsia e devem levar a gestante ao pronto atendimento sem esperar a próxima consulta:
- Pressão arterial ≥ 140×90 mmHg após a 20ª semana, em duas medidas com intervalo de pelo menos 4 horas;
- Dor de cabeça persistente e intensa, que não melhora com analgésicos comuns;
- Alterações visuais, como visão embaçada, pontos brilhantes, “estrelinhas” ou fotofobia;
- Dor na “boca do estômago” ou no lado direito superior do abdome, sinal de possível comprometimento hepático;
- Inchaço súbito no rosto e nas mãos, associado a ganho rápido de peso;
- Redução da urina ou náuseas e vômitos que surgem na segunda metade da gestação.
A combinação de dois ou mais desses sinais aumenta muito a suspeita e exige avaliação hospitalar imediata.
Por que o pré-natal é essencial para o diagnóstico precoce?
O pré-natal é a principal ferramenta de prevenção e diagnóstico da pré-eclâmpsia, já que muitas mulheres não apresentam sintomas evidentes nas fases iniciais. Nas consultas, o obstetra afere a pressão arterial, solicita exame de urina para pesquisa de proteinúria e avalia o ganho de peso.
A pressão arterial na gravidez deve ser monitorada em todas as consultas, e mulheres com fatores de risco, como hipertensão prévia, diabetes, obesidade, gravidez gemelar ou histórico de pré-eclâmpsia, podem se beneficiar do uso preventivo de aspirina em baixa dose e cálcio, sempre com orientação médica.

Como um estudo científico embasa o diagnóstico e o tratamento?
A conduta atual na pré-eclâmpsia é orientada por diretrizes e revisões publicadas em revistas científicas de referência. Uma revisão baseada em evidências publicada na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SciELO) reuniu dados sobre diagnóstico, tratamento clínico e indicações de interrupção da gestação nessa condição.
Segundo o Tratamento da pré-eclâmpsia baseado em evidências publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, as síndromes hipertensivas da gestação representam a terceira causa de mortalidade materna no mundo e a primeira no Brasil, podendo atingir até 10% das gestantes, e a presença de sintomas persistentes, como cefaleia grave, alterações visuais e dor epigástrica, é considerada critério importante para indicar antecipação do parto e reduzir riscos.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico obstetra ou de outro profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvida sobre inchaço, dor de cabeça persistente, alterações visuais ou pressão alta durante a gestação, procure atendimento presencial imediato.









