A apneia do sono é marcada por pausas repetidas na respiração durante a noite e pode ir além do ronco alto. Quando o sono é interrompido várias vezes, o cérebro descansa pior, e isso pode aparecer no dia seguinte como esquecimento, lentidão para pensar, falta de atenção e cansaço persistente.
Por que a memória pode piorar
Durante o sono, o cérebro organiza informações, consolida memórias e recupera energia. Na apneia obstrutiva do sono, a passagem de ar fica bloqueada parcialmente ou totalmente por alguns segundos, reduzindo oxigênio e causando microdespertares.
Com o tempo, essa fragmentação pode afetar atenção, velocidade de raciocínio, humor e memória. Nem todo esquecimento é apneia, mas o risco aumenta quando há ronco, pausas respiratórias e sonolência diurna.
Sinais que merecem atenção
Alguns sinais noturnos e diurnos ajudam a levantar a suspeita. Muitas vezes, quem percebe primeiro é a pessoa que dorme ao lado, não o próprio paciente.
- Ronco alto e frequente;
- Pausas na respiração observadas durante o sono;
- Engasgos, sufocamento ou despertares bruscos à noite;
- Sonolência durante o dia, mesmo após muitas horas na cama;
- Dificuldade de concentração, esquecimento e irritabilidade.

O que a revisão de 2026 encontrou
A ligação entre apneia do sono e cognição ganhou reforço em uma revisão recente, mas o dado deve ser entendido com cuidado. Ela mostra associação, não prova que a apneia seja a única causa do declínio cognitivo.
Segundo a revisão sistemática e meta-análise The prevalence of obstructive sleep apnea in adults with versus without cognitive impairment, publicada na Sleep Medicine Reviews, a apneia obstrutiva do sono foi mais comum em adultos com comprometimento cognitivo. A análise incluiu 15 estudos e 740.901 pessoas, encontrando prevalência estimada de 50% entre pessoas com comprometimento cognitivo e 38% entre aquelas sem esse quadro.
Quem tem maior risco
A apneia pode ocorrer em diferentes idades, mas alguns fatores aumentam a chance de pausas respiratórias durante o sono. Reconhecê-los ajuda a buscar avaliação antes que o cansaço e as falhas de memória sejam normalizados.
- Sobrepeso ou obesidade, especialmente com aumento da circunferência do pescoço;
- Idade mais avançada e sexo masculino, embora mulheres também possam ter;
- Uso de álcool, sedativos ou relaxantes musculares à noite;
- Congestão nasal crônica, desvio de septo ou amígdalas aumentadas;
- Pressão alta, diabetes, arritmias ou histórico de AVC.

Como investigar e melhorar o sono
A investigação pode envolver avaliação clínica e exames como polissonografia ou testes domiciliares do sono. O tratamento depende da gravidade e pode incluir perda de peso, evitar álcool à noite, dormir de lado, tratar obstruções nasais, usar aparelhos intraorais ou CPAP.
Procure avaliação se houver ronco alto com pausas respiratórias, sono não reparador, sonolência ao dirigir, pressão alta difícil de controlar ou piora de memória e atenção. Para entender melhor sintomas e tratamento, veja também este conteúdo sobre apneia do sono.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









