A vontade de comer gelo, a falta de ar ao subir escadas e a sensação de pernas inquietas à noite podem parecer sintomas sem relação. No entanto, eles podem apontar para falta de ferro, um problema nutricional que pode aparecer com ou sem anemia e afetar energia, músculos, sono e concentração.
Como a falta de ferro aparece
O ferro participa da formação da hemoglobina, proteína que transporta oxigênio no sangue. Quando os estoques caem, o corpo pode ter mais dificuldade para manter energia e desempenho físico, mesmo antes de surgir anemia evidente.
A deficiência pode causar cansaço, tontura, palpitações, dor de cabeça, queda de cabelo e piora da tolerância ao exercício. Em algumas pessoas, também surgem sinais menos lembrados, como desejo de mastigar gelo e desconforto nas pernas ao deitar.
Sinais que podem ter a mesma origem
Alguns sintomas ajudam a levantar a suspeita de falta de ferro, principalmente quando aparecem juntos ou persistem por semanas. Eles não confirmam o diagnóstico, mas indicam que exames podem ser necessários.
- Vontade de comer gelo, chamada de pagofagia;
- Falta de ar ou cansaço desproporcional ao esforço;
- Pernas inquietas à noite, com necessidade de movimentar as pernas;
- Unhas fracas, queda de cabelo ou palidez;
- Menstruação intensa, sangramentos ou sintomas digestivos.
A vontade de comer gelo faz parte de um comportamento chamado pica, que envolve desejo por substâncias sem valor nutricional. Esse sinal é classicamente associado à deficiência de ferro e tende a melhorar quando o problema é corrigido.

O que diz um estudo científico
Segundo a revisão científica Iron Deficiency in Adults: A Review, publicada em 2025, a deficiência de ferro pode ocorrer com ou sem anemia, e a ferritina baixa é um marcador importante dos estoques reduzidos quando não há inflamação.
A revisão destaca que fadiga, redução da tolerância ao exercício, sintomas cognitivos, pica e síndrome das pernas inquietas podem estar presentes em adultos com deficiência de ferro. Isso reforça que investigar apenas a hemoglobina pode deixar casos iniciais passarem despercebidos.
Quem tem maior risco
A falta de ferro pode acontecer por perda de sangue, baixa ingestão, aumento das necessidades ou dificuldade de absorção. Identificar a causa é tão importante quanto repor o mineral.
- Mulheres com menstruação intensa ou ciclos muito frequentes;
- Gestantes, puérperas, adolescentes e atletas;
- Pessoas vegetarianas ou com baixa ingestão de carnes e leguminosas;
- Quem tem doença celíaca, doença inflamatória intestinal ou cirurgia bariátrica;
- Uso prolongado de remédios que reduzem a acidez do estômago.
Para entender melhor sintomas, exames e tratamento, veja também este conteúdo sobre falta de ferro.

Como investigar e tratar
O médico pode solicitar hemograma, ferritina, ferro sérico, transferrina, saturação de transferrina e marcadores de inflamação, conforme o caso. Quando há sangramento, sintomas intestinais ou perda de peso, a investigação da origem deve ser priorizada.
Não use suplemento de ferro por conta própria, pois o excesso pode causar náuseas, constipação, dor abdominal e riscos em algumas condições. O tratamento deve ajustar alimentação, dose, tempo de reposição e causa da deficiência, especialmente quando há sintomas como falta de ar, pernas inquietas e desejo persistente por gelo.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









