Um arranhão de gato que vira ferida e não cicatriza não deve ser ignorado, especialmente quando surgem caroços, vermelhidão ou lesões que aumentam aos poucos. A esporotricose é uma micose causada por fungos do gênero Sporothrix e voltou ao radar da vigilância por sua transmissão relacionada a gatos infectados, principalmente em surtos urbanos.
O que é esporotricose
A esporotricose é uma infecção fúngica que geralmente atinge a pele e o tecido abaixo dela. Ela pode entrar no corpo por pequenos cortes, arranhões ou feridas, especialmente após contato com solo, plantas, madeira ou animais infectados.
Segundo o CDC, gatos podem transmitir esporotricose para pessoas e outros animais por mordidas, arranhões, espirros ou contato com secreções de lesões. Por isso, feridas após contato com gato doente precisam de avaliação.
Como reconhecer a ferida suspeita
A lesão pode começar como um pequeno caroço, parecido com picada ou machucado comum. Com o tempo, pode abrir, formar ferida, liberar secreção e não cicatrizar como esperado.
- Ferida que não cicatriza após arranhão ou mordida de gato;
- Caroços doloridos ou avermelhados ao longo do braço ou da perna;
- Lesão com pus, crosta ou aumento progressivo;
- Contato recente com gato com feridas na pele, focinho ou patas;
- Ínguas próximas à região machucada.

Estudo científico sobre esporotricose
Segundo a revisão sistemática The Historical Burden of Sporotrichosis in Brazil: a Systematic Review of Cases Reported from 1907 to 2020, publicada na Journal of Fungi, a esporotricose humana no Brasil tem forte relação com a transmissão zoonótica, especialmente envolvendo gatos.
A revisão analisou dados publicados sobre casos humanos, animais e ambientais no país, mostrando a importância da vigilância integrada entre saúde humana, veterinária e meio ambiente. Esse cenário ajuda a explicar por que lesões persistentes após contato com gatos passaram a ser investigadas com mais atenção.
Por que gatos exigem cuidado especial
Gatos com esporotricose podem ter grande quantidade de fungos nas lesões, o que facilita a transmissão por arranhões, mordidas ou contato direto com secreções. Animais doentes podem apresentar feridas no rosto, focinho, orelhas, patas ou corpo.
- Não espremer, tocar ou limpar lesões do animal sem proteção;
- Levar o gato ao veterinário se houver feridas persistentes;
- Evitar que gatos doentes circulem livremente;
- Usar luvas ao manusear animais suspeitos, quando necessário;
- Não abandonar o animal, pois isso aumenta a transmissão.

Quando procurar atendimento
Procure um serviço de saúde se a ferida após arranhão ou mordida não melhorar, aumentar, formar nódulos ou vier após contato com gato doente. O diagnóstico pode envolver avaliação clínica, cultura do fungo e outros exames indicados pelo médico.
O tratamento costuma exigir antifúngicos por várias semanas ou meses, sempre com prescrição. Saiba também como identificar e tratar a esporotricose em pessoas e animais.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou veterinário.









