Sentir vontade de mastigar gelo, morder giz ou comer terra pode parecer apenas um hábito esquisito, mas, quando esse comportamento se repete, ele tem nome e explicação médica. A síndrome de pica é um transtorno alimentar caracterizado pelo consumo persistente de itens sem valor nutritivo, e costuma esconder questões de saúde que merecem investigação. Diferenciá-la de uma curiosidade passageira é essencial para evitar complicações e tratar a causa certa. Entenda o que está por trás desse impulso e quando ele exige atenção profissional.
O que é a síndrome de pica?
A síndrome de pica, também chamada de alotriofagia ou picamalácia, é o desejo persistente de ingerir substâncias que não são alimentos, como terra, gelo, giz, papel, sabão ou argila. Para ser considerada um transtorno, esse comportamento precisa se repetir por pelo menos um mês.
Diferente de um hábito ocasional, a síndrome de pica envolve um impulso difícil de controlar e que foge da fase esperada do desenvolvimento, especialmente em crianças pequenas que exploram o mundo levando objetos à boca.

Como diferenciar de um hábito passageiro?
A curiosidade infantil costuma ser breve, pontual e ligada à exploração do ambiente. Provar algo incomum uma vez ou outra não configura o transtorno, assim como práticas culturais ou religiosas específicas.
O sinal de alerta surge quando o comportamento se torna repetitivo, persiste por semanas e começa a trazer riscos. Nesses casos, não se trata de mania ou birra, mas de um quadro que exige avaliação clínica para entender o que o motiva.
Quais as principais causas?
As causas da síndrome de pica são variadas e costumam combinar fatores nutricionais, emocionais e ambientais. Identificá-las é o que orienta o tratamento adequado.

Por envolver causas tão distintas, alguns casos exigem acompanhamento conjunto com profissionais que tratam transtornos mentais, além da avaliação nutricional.
Quais os riscos e como é o tratamento?
A síndrome de pica não é inofensiva. Dependendo do que é ingerido, pode haver intoxicação por chumbo, parasitoses, lesões nos dentes, engasgos e obstrução intestinal, além de mascarar carências nutricionais.
O tratamento depende da causa. Quando há deficiência de nutrientes, a reposição de ferro ou zinco, orientada por um profissional, costuma ser eficaz. Já quando o comportamento se liga a fatores emocionais, a terapia comportamental ganha mais peso, muitas vezes com apoio de pediatra, psiquiatra, psicólogo e nutricionista.
O que dizem os estudos científicos sobre a pica?
A relação entre a pica e a deficiência de ferro é um dos pontos mais documentados na literatura médica, o que ajuda a orientar o diagnóstico e o cuidado.
Segundo a revisão de escopo The Association Between Pica and Iron-Deficiency Anemia: A Scoping Review, publicada na revista Cureus e indexada no PubMed, em todos os artigos analisados a identificação dos sintomas de pica permitiu tratar a deficiência de ferro e levou à resolução do comportamento. O gelo foi um dos itens mais relatados entre os pacientes.
Ainda assim, como a anemia é apenas uma das possíveis causas, o autodiagnóstico não é recomendado. Diante de sinais persistentes, é fundamental procurar um médico e um nutricionista, que farão a avaliação clínica e nutricional necessária para indicar o tratamento mais adequado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde qualificado.

