Um suplemento muito utilizado para aliviar dores nas articulações foi associado a um avanço mais rápido da doença de Alzheimer em pessoas com declínio cognitivo. A glucosamina, vendida sem prescrição e consumida por milhões de pessoas em todo o mundo, está no centro de uma nova pesquisa que levanta dúvidas sobre seus efeitos no cérebro. Entender o que diz o estudo, como o suplemento funciona e quando vale buscar avaliação médica ajuda a tomar decisões mais seguras sobre o uso desse produto.
O que é a glucosamina e para que serve?
A glucosamina é um aminoaçúcar produzido naturalmente pelo corpo, essencial para a formação e manutenção das cartilagens que revestem as articulações. Com o envelhecimento, sua produção diminui, contribuindo para o desgaste articular e para o aparecimento de dores.
Por esse motivo, ela é muito procurada como suplemento, especialmente em quadros de artrose e dores no joelho. Costuma ser combinada com a condroitina e está entre os suplementos mais consumidos por adultos mais velhos em todo o mundo.
Quais foram os principais achados do estudo?
A pesquisa analisou dados anonimizados de mais de 50 mil pacientes do sistema UF Health, na Flórida, entre 2012 e 2024. Os cientistas compararam pessoas que utilizavam glucosamina com outras que não consumiam o suplemento, ajustando os resultados por idade, sexo e outros fatores clínicos.
Os principais resultados encontrados foram:

Por que a glucosamina pode afetar o cérebro?
Os pesquisadores observaram que a glucosamina interfere na glicosilação de proteínas, processo bioquímico que adiciona moléculas de açúcar a proteínas do cérebro. No Alzheimer, esse processo já se encontra exacerbado, e o suplemento parece intensificar ainda mais essa atividade metabólica.
Esse mecanismo pode favorecer o acúmulo de proteínas alteradas no tecido cerebral, contribuindo para a progressão da doença. A descoberta sugere que o cérebro afetado pela doença de Alzheimer é mais vulnerável a essa via metabólica do que o cérebro saudável.
O que diz a publicação científica?
A descoberta foi divulgada em uma publicação de grande repercussão na área de neurociência. Segundo o estudo Hyperglycosylation is a metabolic driver of Alzheimer’s disease, publicado na revista Nature Metabolism, a suplementação oral de glucosamina foi associada à progressão acelerada da doença e à piora da sobrevida em pacientes com Alzheimer.
Os autores reforçam que o estudo é observacional e retrospectivo, ou seja, identifica uma associação estatística, mas não prova relação direta de causa e efeito. Por isso, novas pesquisas clínicas são necessárias para confirmar os achados e orientar mudanças nas recomendações de uso.

Quando procurar avaliação médica?
O estudo não recomenda que pessoas saudáveis suspendam o uso da glucosamina por conta própria. No entanto, idosos com problemas de memória, declínio cognitivo leve ou histórico familiar de demência devem conversar com o médico antes de continuar a suplementação.
Quem utiliza o produto há muito tempo deve reavaliar periodicamente os benefícios e possíveis riscos com um profissional de saúde. Em quadros de dor articular persistente, é importante investigar a causa antes de iniciar qualquer suplemento, já que existem outras opções terapêuticas para o tratamento da artrite e artrose que podem ser mais adequadas a cada caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Em caso de dúvidas sobre o uso de suplementos ou sintomas de declínio cognitivo, procure orientação profissional.









