Sentir as mãos e os pés formigando, esquecer informações simples e acordar exausto mesmo após uma boa noite de sono são queixas comuns no consultório, mas que muitas vezes apontam para algo silencioso: a falta de vitamina B12. Esse nutriente é essencial para o sistema nervoso e para a produção de glóbulos vermelhos, e sua deficiência costuma se instalar de forma lenta. Comer carne com frequência ajuda, mas não é garantia de bons níveis, porque a absorção depende de um conjunto de fatores que vão muito além do prato.
Quais sinais indicam falta de vitamina B12 no corpo?
Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e por isso passam despercebidos. Os mais frequentes envolvem fadiga constante, palidez, falta de ar aos pequenos esforços, dores de cabeça e queda no rendimento mental, como dificuldade de concentração e lapsos de memória.
Com o avanço da deficiência, surgem manifestações neurológicas mais evidentes, como formigamento e dormência nas mãos e nos pés, alterações de equilíbrio, fraqueza muscular, mudanças de humor e até depressão. Em casos prolongados, parte desses danos no sistema nervoso pode se tornar irreversível.
Por que comer carne nem sempre é suficiente?
A vitamina B12 está presente principalmente em alimentos de origem animal, mas a sua absorção depende do fator intrínseco, uma proteína produzida no estômago. Sem ele, mesmo uma dieta rica em carne, ovos e laticínios pode resultar em níveis insuficientes no sangue.
Por isso, problemas gástricos, cirurgias bariátricas, gastrite atrófica e o uso prolongado de certos medicamentos comprometem a absorção, independentemente da alimentação. Vegetarianos e veganos estritos, por outro lado, têm baixa ingestão e quase sempre precisam de suplementação orientada.

Quem está em maior risco de deficiência?
Alguns perfis concentram a maior parte dos casos diagnosticados e devem ter atenção redobrada com a dosagem da vitamina, já que a deficiência pode evoluir sem sintomas claros por meses ou anos. Conhecer esses grupos ajuda a identificar quando o exame é recomendado.

O que diz o estudo do New England Journal of Medicine?
A referência mais citada por hematologistas e neurologistas sobre o tema reúne evidências de décadas em uma revisão clínica com avaliação por pares. Segundo a revisão Prática clínica. Deficiência de vitamina B12, de Sally P. Stabler, publicada no New England Journal of Medicine, a deficiência da vitamina pode causar anemia megaloblástica reversível, doença desmielinizante (com danos aos nervos) ou ambas, e o tratamento com B12 por via oral em altas doses ou por injeção é eficaz na maioria dos casos. A revisão também destaca que os exames atuais têm limitações de sensibilidade, e que a dosagem de ácido metilmalônico ajuda a confirmar o diagnóstico em situações duvidosas.
Como interpretar o exame e quando suplementar?
O exame inicial é a dosagem de B12 sérica, geralmente expressa em pg/mL. De forma orientativa, valores abaixo de 200 pg/mL costumam indicar deficiência, entre 200 e 300 pg/mL podem representar zona limítrofe (que merece investigação complementar) e acima de 300 pg/mL são considerados adequados na maioria dos adultos.
A suplementação deve ser individualizada, em comprimidos, sublinguais ou injeções, conforme a causa e a gravidade.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico ou profissional de saúde qualificado.









