Unhas que lascam, descamam ou quebram com facilidade costumam ser tratadas como problema apenas estético, mas funcionam como um verdadeiro registro do que acontece dentro do organismo. Como crescem cerca de 3 milímetros por mês, refletem o equilíbrio nutricional e hormonal das semanas anteriores. Quando a fragilidade persiste mesmo com cuidados externos, vale investigar causas internas como deficiência de ferro ou disfunções da tireoide.
Por que as unhas refletem a saúde do organismo?
As unhas são formadas por queratina, uma proteína produzida na matriz ungueal a partir de nutrientes que chegam pela corrente sanguínea. Quando o aporte de ferro, biotina, zinco ou vitaminas do complexo B está reduzido, a estrutura sai mais frágil e propensa a quebrar.
Disfunções hormonais também afetam diretamente a produção da queratina. A tireoide regula o metabolismo das células da matriz e, quando funciona em ritmo alterado, modifica o crescimento e a resistência da lâmina, conforme descrito em revisões dermatológicas recentes sobre unhas fracas.
Quais sinais nas unhas merecem atenção?
O formato e a aparência da unha podem oferecer pistas valiosas sobre o que está em desequilíbrio no organismo. Observar os padrões ajuda a direcionar a investigação médica.

Estudo científico relaciona problemas de unhas à tireoide?
A literatura médica reforça que alterações nas unhas podem ser um dos primeiros sinais visíveis de disfunção tireoidiana. Segundo o estudo Nail Changes Associated With Thyroid Disease, publicado na revista Cutis em 2022, onicólise e unhas finas com crescimento lento estão associadas ao hipotireoidismo, enquanto onicólise, coiloníquia e fragilidade ungueal aparecem com frequência no hipertireoidismo.
Os autores destacam que a identificação dessas alterações é útil para o diagnóstico precoce de doenças da tireoide, especialmente quando outros sintomas, como queda de cabelo, pele seca e cansaço persistente, aparecem em conjunto.

Quais exames são recomendados para investigar a causa?
Quando a fragilidade das unhas se mantém por semanas, a avaliação laboratorial ajuda a identificar deficiências nutricionais e hormonais. Os exames mais comumente solicitados nesses casos incluem alguns marcadores básicos.
- Hemograma completo: avalia sinais gerais de anemia e inflamação.
- Ferritina e ferro sérico: indicam os estoques de ferro do organismo.
- Vitamina B12 e ácido fólico: importantes para a renovação celular.
- Vitamina D: frequentemente relacionada à saúde dos tecidos.
- Zinco: mineral envolvido na formação da queratina.
- TSH e T4 livre: principais marcadores da função da tireoide.
O dermatologista é o especialista indicado para avaliar as alterações ungueais, e o endocrinologista entra em cena quando há suspeita de disfunção hormonal. Em casos de anemia confirmada, o quadro geralmente é tratado conforme a abordagem descrita no guia sobre anemia ferropriva, com suplementação e ajuste na alimentação.
Quando procurar avaliação especializada?
Algumas situações exigem atenção redobrada e não devem ser tratadas apenas com cuidados estéticos. Esses sinais costumam indicar que o organismo precisa de avaliação clínica mais detalhada.
- Fragilidade que persiste por mais de 2 ou 3 meses mesmo com hidratação adequada.
- Alterações no formato da unha, como concavidade ou deformidades acentuadas.
- Descolamento da unha do leito sem causa traumática aparente.
- Mudança na cor da unha, especialmente faixas escuras longitudinais.
- Sintomas associados, como queda de cabelo, cansaço excessivo, intolerância ao frio ou ao calor e variações de peso.
Cuidados externos, como uso de luvas para tarefas domésticas, hidratação das cutículas e pausas no uso de esmaltes, ajudam a preservar a saúde das unhas. Porém, quando o problema persiste, é importante buscar um profissional para investigar as causas internas e definir o tratamento mais adequado.
As informações deste artigo têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









