A chikungunya voltou a preocupar autoridades de saúde nas Américas por causa do aumento de casos e da retomada da transmissão em áreas que não registravam circulação há anos. Embora comece como uma virose, com febre e mal-estar, a dor nas juntas pode ser intensa e persistir por meses em algumas pessoas.
Por que a chikungunya voltou ao radar
A chikungunya é uma arbovirose transmitida principalmente por mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, os mesmos envolvidos na transmissão de dengue e zika. Por isso, surtos podem ocorrer em regiões com grande presença desses vetores.
Segundo alerta epidemiológico da OPAS/OMS, entre o fim de 2025 e o início de 2026 houve aumento sustentado de casos de chikungunya em países e territórios das Américas, além de reintrodução da transmissão local em algumas áreas.
Os sintomas que não parecem virose comum
No início, a chikungunya pode parecer dengue, gripe forte ou “virose”, mas a dor articular costuma chamar atenção pela intensidade. Ela pode afetar mãos, punhos, tornozelos, pés, joelhos e outras articulações.
- Febre repentina, geralmente com mal-estar intenso.
- Dor nas juntas, muitas vezes forte e incapacitante.
- Dor muscular, dor de cabeça e cansaço.
- Manchas vermelhas na pele em alguns casos.
- Inchaço ou rigidez nas articulações.

Por que a dor nas juntas merece atenção
A diferença mais importante é que a chikungunya pode deixar sintomas articulares prolongados. Mesmo depois que a febre melhora, algumas pessoas continuam com dor, rigidez e inchaço, o que atrapalha tarefas simples como caminhar, escrever ou abrir objetos.
Por isso, não é indicado tratar como virose comum e apenas esperar passar, especialmente se houver dor articular intensa, sinais de desidratação, sonolência, piora progressiva ou doenças crônicas. Veja também sintomas e cuidados em casos de chikungunya.
O que diz um estudo científico
A persistência da dor foi observada no estudo de coorte Frequency of Chronic Joint Pain Following Chikungunya Virus Infection, publicado na revista Arthritis & Rheumatology. A pesquisa acompanhou pacientes na Colômbia após a epidemia de 2014 a 2015 e encontrou dor articular persistente em parte dos casos após 20 meses.
Esse achado ajuda a explicar por que a chikungunya tem impacto além da fase aguda. A avaliação precoce orienta hidratação, controle adequado da dor e acompanhamento quando os sintomas articulares não melhoram.

Como se proteger e quando buscar ajuda
A prevenção depende do controle do mosquito e da proteção contra picadas, principalmente em áreas com circulação de arboviroses. Como os sintomas se confundem com dengue, zika e outras infecções, o diagnóstico pode exigir avaliação clínica e exames.
- Use repelente e roupas que cubram mais a pele.
- Elimine água parada em vasos, calhas, pneus e recipientes.
- Evite automedicação com anti-inflamatórios sem orientação.
- Procure atendimento se houver dor intensa, sangramentos, tontura, vômitos persistentes ou piora do estado geral.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, infectologista ou outro profissional de saúde.









