Ultraprocessados podem alterar o intestino das crianças ainda no primeiro ano de vida, favorecendo bactérias menos desejáveis e reduzindo sinais associados a uma microbiota mais saudável. O alerta é importante porque esse período é decisivo para o amadurecimento do sistema imune, da digestão e da relação da criança com os alimentos.
O que acontece no intestino
O intestino infantil abriga trilhões de microrganismos que participam da digestão, da proteção contra infecções e da regulação da imunidade. Quando a alimentação é rica em biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes, achocolatados e macarrão instantâneo, esse equilíbrio pode ser prejudicado.
Esses produtos costumam ter muito açúcar, gordura, sal e aditivos, além de pouca fibra. Com isso, podem reduzir a diversidade da microbiota intestinal e favorecer um ambiente menos protetor para a criança.
O que diz o novo estudo brasileiro
O estudo de coorte The influence of ultra-processed foods on gut microbiome and inflammation in Brazilian children, publicado na Clinical Nutrition, avaliou a relação entre consumo de ultraprocessados, perfil alimentar, inflamação e microbiota intestinal em crianças brasileiras.
Os resultados indicam que o consumo de ultraprocessados se associou a mudanças na composição das bactérias intestinais, com impacto mais evidente em crianças que não recebiam leite materno. O achado reforça que o problema não é apenas o excesso de calorias, mas a forma como esses alimentos podem modificar o microbioma intestinal.

Quais alimentos merecem atenção
Nem todo alimento embalado é ultraprocessado, mas alguns produtos são feitos principalmente com ingredientes industriais e aditivos. Eles costumam substituir comida de verdade no prato e podem aparecer cedo demais na rotina das crianças.
- Biscoitos recheados, bolinhos prontos e cereais açucarados;
- Salgadinhos de pacote e macarrão instantâneo;
- Refrigerantes, refrescos artificiais e sucos de caixinha adoçados;
- Achocolatados, sorvetes industrializados e doces prontos;
- Embutidos, nuggets e outros produtos prontos para aquecer.
Por que o leite materno protege
O leite materno fornece nutrientes, compostos bioativos e microrganismos que ajudam a formar uma microbiota mais equilibrada. No estudo, crianças amamentadas apresentaram sinais mais favoráveis no intestino, incluindo maior presença de bactérias associadas à saúde intestinal.
Isso não significa que a amamentação anule todos os efeitos de uma alimentação inadequada, mas ela pode ajudar a reduzir parte do impacto. Para saber mais sobre escolhas alimentares nessa fase, veja também o conteúdo sobre alimentação infantil.

Como melhorar a rotina alimentar
A melhor estratégia é tornar os alimentos frescos mais presentes e deixar os ultraprocessados fora da rotina. Mudanças pequenas, repetidas todos os dias, ajudam o intestino da criança a receber mais fibras, vitaminas e minerais.
- Oferecer frutas, legumes, feijão, arroz, ovos, carnes e tubérculos;
- Evitar açúcar e ultraprocessados antes dos 2 anos;
- Preferir água em vez de bebidas adoçadas;
- Ler rótulos e desconfiar de listas longas de ingredientes;
- Manter horários de refeições com comida caseira sempre que possível.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, nutricionista ou outro profissional de saúde.









