A queda de cabelo persistente nem sempre é resultado da genética ou do estresse. Em muitos casos, o verdadeiro responsável é a ferritina baixa, proteína que armazena ferro no organismo e garante o funcionamento adequado do folículo capilar. Mesmo sem anemia diagnosticada nos exames de rotina, níveis reduzidos dessa reserva podem interromper o ciclo de crescimento dos fios e provocar queda difusa, especialmente em mulheres em idade fértil.
O que é ferritina e como ela atua nos folículos?
A ferritina é a proteína responsável por armazenar o ferro no organismo e liberá-lo conforme a necessidade dos tecidos. No couro cabeludo, o ferro participa diretamente da multiplicação das células da matriz capilar, região onde o fio é produzido.
Quando a ferritina está baixa, o fornecimento de oxigênio e nutrientes ao folículo fica comprometido, e parte dos fios entra precocemente na fase de queda. Esse processo é chamado de eflúvio telógeno e provoca uma queda difusa pelo couro cabeludo, sem falhas localizadas.
Por que a ferritina baixa afeta o cabelo mesmo sem anemia?
O cabelo passa por três fases naturais: crescimento, transição e repouso. A ferritina adequada mantém a fase de crescimento ativa por tempo suficiente para que o fio se desenvolva plenamente. Quando os estoques de ferro estão reduzidos, esse ciclo é encurtado.
O detalhe importante é que a hemoglobina pode permanecer normal por meses, enquanto a ferritina já está abaixo do ideal. Por isso, exames como o hemograma isolado podem não detectar a deficiência precoce, e a queda de cabelo pode ser o primeiro sinal visível de que as reservas de ferro estão se esgotando.

Quais sinais indicam ferritina baixa?
A queda de cabelo por deficiência de ferritina raramente aparece isolada. Outros sintomas do metabolismo do ferro costumam surgir em conjunto, mesmo que a hemoglobina esteja dentro da faixa considerada normal. Reconhecer esses indícios ajuda a buscar avaliação médica antes que o quadro se prolongue.
Os principais sinais incluem:

O que diz a ciência sobre ferritina e queda de cabelo?
A relação entre níveis séricos de ferritina e queda capilar vem sendo investigada há décadas pela dermatologia. De acordo com o estudo Serum ferritin and vitamin D in female hair loss, publicado na revista científica Skin Pharmacology and Physiology e indexado no PubMed, mulheres com eflúvio telógeno apresentaram níveis médios de ferritina de 14,7 µg/L, enquanto o grupo controle sem queda capilar registrou 43,5 µg/L.
Os autores observaram valores de corte próximos de 27,5 a 29,4 μg/L para esses quadros e concluíram que a triagem de ferritina e vitamina D em casos de queda capilar pode ser benéfica no tratamento. As recomendações estão alinhadas às orientações da Sociedade Brasileira de Dermatologia para investigação de alopecia não cicatricial.
Quando investigar e como tratar?
Se a queda persiste por mais de quatro a seis semanas, vem acompanhada de cansaço, unhas frágeis ou alterações menstruais, é importante procurar um dermatologista ou clínico geral. A investigação adequada inclui hemograma, ferritina sérica, índice de saturação de transferrina, TSH, vitamina D e zinco, conforme orientação individualizada.
O tratamento depende da causa identificada e pode envolver reposição de ferro, ajustes alimentares com fontes como carnes, fígado, feijão e folhas verde-escuras, além de suplementação orientada. Em paralelo, o dermatologista pode indicar abordagens específicas para tratar a queda de cabelo e descartar outras causas, como alopecia androgenética, distúrbios da tireoide ou desequilíbrios hormonais.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um dermatologista ou clínico geral para orientações personalizadas.









