O cansaço constante pode estar ligado ao estresse, sono ruim e excesso de demandas, mas também pode envolver alterações no metabolismo celular. Uma hipótese estudada é que a baixa disponibilidade de glicina, um aminoácido importante para a produção de glutationa, possa prejudicar a defesa antioxidante e favorecer a disfunção mitocondrial, reduzindo a eficiência com que as células produzem energia.
Como a glicina participa da energia celular
A glicina é um aminoácido usado na formação de proteínas, colágeno e glutationa, uma das principais defesas antioxidantes do organismo. Quando há menor disponibilidade de glicina, o corpo pode ter mais dificuldade para lidar com o estresse oxidativo, processo que afeta diretamente as mitocôndrias.
As mitocôndrias funcionam como pequenas “usinas” das células. Quando elas trabalham pior, músculos, cérebro e outros tecidos podem receber menos energia disponível, favorecendo sensação de fadiga persistente, fraqueza e menor tolerância ao esforço.
Sinais que podem acompanhar a baixa energia
O cansaço por alterações metabólicas nem sempre aparece isolado. Ele pode surgir junto com sinais que também são comuns em rotina intensa, sono insuficiente ou alimentação inadequada.
- Fadiga mesmo após dormir, com sensação de corpo pesado ao acordar;
- Dificuldade de concentração e lentidão mental ao longo do dia;
- Queda no rendimento físico, mesmo em atividades leves;
- Dores musculares ou recuperação mais lenta após esforço;
- Maior irritabilidade ou sensação de esgotamento frequente.

O que diz um estudo científico
O interesse pela glicina cresceu porque ela participa da síntese de glutationa, junto com a cisteína. Essa combinação é estudada como GlyNAC, formada por glicina e N-acetilcisteína, principalmente em pesquisas sobre envelhecimento, metabolismo e função mitocondrial.
Segundo o ensaio clínico randomizado Supplementing Glycine and N-Acetylcysteine (GlyNAC) in Older Adults Improves Glutathione Deficiency, Oxidative Stress, Mitochondrial Dysfunction, Inflammation, Physical Function, and Aging Hallmarks, publicado no The Journals of Gerontology Series A, a suplementação com GlyNAC em adultos mais velhos foi associada à melhora da deficiência de glutationa, do estresse oxidativo, da disfunção mitocondrial e da função física.
Onde encontrar glicina na alimentação
A glicina pode ser obtida por meio de alimentos ricos em proteínas e também está presente em maior quantidade em partes ricas em colágeno. Uma alimentação variada costuma ser a primeira estratégia antes de pensar em suplementos.
- Carnes, frango e peixe, especialmente cortes com tecido conjuntivo;
- Ovos e laticínios, que ajudam no aporte geral de aminoácidos;
- Gelatina sem excesso de açúcar e preparações com colágeno;
- Leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico;
- Caldos caseiros feitos com ossos e cartilagens, quando bem preparados.
Para entender melhor como a alimentação influencia a disposição, veja também este conteúdo sobre alimentos que dão energia.

Quando investigar o cansaço constante
Embora a glicina e a função mitocondrial sejam temas promissores, nem todo cansaço é causado por baixa ingestão desse aminoácido. Anemia, hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12, depressão, apneia do sono, infecções e uso de medicamentos também podem provocar fadiga prolongada.
O ideal é procurar avaliação médica quando o cansaço dura várias semanas, piora progressivamente, vem com perda de peso, falta de ar, palpitações, febre, dor persistente ou prejuízo importante na rotina. O conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









