O eritritol, adoçante comum em produtos “zero açúcar”, ganhou atenção após estudos associarem níveis elevados dessa substância a maior reatividade das plaquetas, células envolvidas na coagulação. A preocupação não é que uma pequena quantidade cause infarto, mas que o consumo frequente e concentrado possa merecer cautela, especialmente em pessoas com maior risco cardiovascular.
Por que o eritritol preocupa
O eritritol é um poliol usado para adoçar alimentos, bebidas, sobremesas, chocolates e produtos de baixo carboidrato. Ele tem sabor doce, poucas calorias e costuma ser escolhido por pessoas que desejam controlar o peso ou reduzir o açúcar da dieta.
O ponto de atenção é que, quando consumido em doses altas, pode elevar rapidamente sua concentração no sangue. Em algumas pesquisas, níveis mais altos foram associados a maior ativação das plaquetas, o que pode facilitar a formação de coágulos em pessoas predispostas.
O que diz o estudo científico
O tema ganhou força com o estudo The artificial sweetener erythritol and cardiovascular event risk, publicado na revista Nature Medicine. Trata-se de um estudo que combinou análises observacionais em pacientes sob avaliação cardíaca, experimentos laboratoriais e uma pequena intervenção em voluntários saudáveis.
Segundo os pesquisadores, níveis circulantes mais altos de eritritol foram associados a maior risco de eventos cardiovasculares maiores, como infarto, AVC e morte, em um período de 3 anos. O estudo também observou que o eritritol aumentou a reatividade plaquetária em laboratório e elevou seus níveis no sangue por mais de 2 dias após a ingestão em voluntários.

Como pode afetar a coagulação
A coagulação é um processo natural e necessário para evitar sangramentos. O problema surge quando há uma tendência maior à formação de coágulos dentro dos vasos, o que pode bloquear a circulação e favorecer eventos graves.
O excesso de eritritol pode preocupar porque foi associado a mecanismos ligados à trombose, como:
- maior atividade das plaquetas, que participam da formação de coágulos;
- possível aumento da tendência à trombose em modelos experimentais;
- elevação prolongada dos níveis sanguíneos após consumo concentrado;
- maior preocupação em pessoas com placas de gordura, diabetes ou doença cardíaca.
Outros adoçantes também exigem atenção
Nem todos os adoçantes agem da mesma forma. Sucralose, aspartame, sacarina, estévia, xilitol e eritritol têm estruturas diferentes e não devem ser colocados no mesmo grupo quando o assunto é coagulação.
Ainda assim, o uso frequente de produtos ultraprocessados adoçados pode atrapalhar a qualidade da alimentação. Para reduzir riscos, algumas medidas úteis são:
- evitar exagerar em produtos “zero”, “diet” ou “low carb” no mesmo dia;
- ler o rótulo e observar a presença de eritritol, xilitol e outros polióis;
- priorizar água, frutas, iogurte natural e alimentos pouco processados;
- conversar com um profissional se houver histórico de infarto, AVC ou trombose.
Para entender melhor as opções disponíveis, veja também este conteúdo sobre adoçantes naturais.

Quem deve ter mais cautela
Pessoas com doença cardiovascular, diabetes, colesterol alto, pressão alta, obesidade, histórico de trombose, infarto ou AVC devem ter mais atenção ao consumo diário de adoçantes concentrados. Nesses casos, a melhor escolha depende do perfil de saúde e da quantidade usada.
Na prática, reduzir açúcar não significa trocar tudo por adoçante. O mais seguro é ajustar o paladar aos poucos, manter uma alimentação rica em fibras, proteínas e alimentos naturais, e usar adoçantes com moderação, sem transformar produtos adoçados em consumo diário livre.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, nutricionista ou outro profissional de saúde.









