A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune crônica em que o próprio sistema imunológico ataca as glândulas responsáveis por produzir saliva, lágrimas e outras secreções que mantêm as mucosas hidratadas. O resultado é um ressecamento persistente dos olhos e da boca, frequentemente acompanhado de fadiga intensa e dores articulares. Apesar de ser uma condição relativamente comum entre as doenças reumatológicas, costuma passar anos sem ser diagnosticada, pois seus sintomas se confundem com queixas atribuídas à idade, ao estresse ou à desidratação.
O que é a síndrome de Sjögren?
Trata-se de um distúrbio autoimune em que linfócitos infiltram e inflamam as glândulas exócrinas, reduzindo progressivamente sua capacidade de produzir secreções. As principais afetadas são as glândulas salivares e lacrimais, mas a doença pode comprometer também mucosas do nariz, da garganta e da região genital.
A condição pode se apresentar como primária, quando ocorre isoladamente, ou secundária, quando aparece associada a outras doenças autoimunes como artrite reumatoide, lúpus ou esclerodermia. É mais frequente em mulheres entre 35 e 55 anos.
Quais são os principais sintomas?
A evolução costuma ser lenta, com queixas inespecíficas no início que vão se intensificando ao longo dos anos. O ressecamento das mucosas é a marca registrada da doença, mas os efeitos vão muito além disso e podem impactar a rotina de forma significativa.
Os sintomas mais frequentes incluem:

Por que a doença é tão confundida com outras condições?
O olho seco pode ser atribuído ao uso prolongado de telas, a boca seca ao efeito de medicamentos, e a fadiga ao excesso de trabalho. Esses sintomas isolados raramente levantam suspeita de uma doença autoimune, o que contribui para o atraso no diagnóstico.
Além disso, os sinais se sobrepõem aos de outros distúrbios reumatológicos e hormonais, como menopausa e hipotireoidismo, exigindo avaliação cuidadosa por reumatologista para diferenciar a Síndrome de Sjögren de outras doenças autoimunes.
O que revela um estudo científico sobre a doença?
A dimensão epidemiológica da condição foi avaliada em profundidade pela literatura internacional. Segundo a revisão sistemática e meta-análise Epidemiology of primary Sjögren’s syndrome, publicada no periódico científico Annals of the Rheumatic Diseases em 2015, pesquisadores analisaram 21 estudos para estimar a incidência e a prevalência da forma primária da doença no mundo.
Os autores identificaram incidência combinada de cerca de 6,92 casos a cada 100 mil pessoas por ano, com predomínio acentuado no sexo feminino e variação importante entre regiões geográficas, o que reforça a necessidade de maior atenção médica aos sintomas característicos para reduzir o atraso diagnóstico.

Como é feito o diagnóstico e o alívio dos sintomas?
A confirmação envolve avaliação clínica detalhada aliada a exames laboratoriais e específicos das glândulas afetadas. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e prevenir complicações, como lesões na córnea e infecções oportunistas em pessoas com o sistema imunológico alterado.
Etapas comuns da investigação e do manejo incluem:
- Teste de Schirmer, que mede a produção de lágrima ao longo de alguns minutos
- Pesquisa de autoanticorpos anti-Ro (SS-A) e anti-La (SS-B) no sangue
- Biópsia de glândulas salivares menores, realizada no lábio inferior
- Uso regular de lágrimas artificiais, colírios lubrificantes e saliva artificial
- Medicamentos como pilocarpina e cevimelina para estimular a secreção glandular
- Hidroxicloroquina, imunossupressores e anti-inflamatórios em casos com manifestações sistêmicas
- Acompanhamento conjunto com oftalmologista, dentista e reumatologista
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico reumatologista diante de sintomas persistentes de ressecamento das mucosas ou fadiga sem causa aparente.









