Olhos secos e irritados com frequência podem indicar carências nutricionais que afetam diretamente a produção e a qualidade do filme lacrimal. A síndrome do olho seco é uma condição multifatorial, mas evidências científicas demonstram que deficiências de vitamina A, ácidos graxos ômega-3 e riboflavina contribuem significativamente para sintomas como ardência, sensação de areia nos olhos e produção inadequada de lágrimas. Corrigir essas carências por meio da alimentação ou de suplementação orientada pode melhorar os sintomas de forma substancial.
Por que a vitamina A é essencial para a lubrificação dos olhos?
A vitamina A é o nutriente com a relação mais bem documentada na prevenção do olho seco. Ela mantém a integridade das células caliciformes da conjuntiva, responsáveis por secretar mucina, componente fundamental do filme lacrimal que permite que as lágrimas se distribuam uniformemente sobre a superfície ocular. Sem níveis adequados dessa vitamina, a produção de mucina diminui e os olhos perdem sua camada protetora natural.
A deficiência grave de vitamina A pode causar xeroftalmia, condição caracterizada por ressecamento intenso dos olhos, manchas esbranquiçadas na conjuntiva e, nos casos mais avançados, cegueira noturna. Cenoura, abóbora, manga, fígado e gema de ovo são fontes ricas desse nutriente e devem fazer parte da alimentação diária para proteger a saúde ocular.
Como a falta de ômega-3 afeta a qualidade das lágrimas?
Os ácidos graxos ômega-3, especialmente o EPA e o DHA, exercem ação anti-inflamatória direta na superfície ocular e melhoram a função das glândulas de Meibômio, responsáveis por secretar a camada lipídica das lágrimas. Essa camada oleosa impede a evaporação rápida do filme lacrimal e mantém os olhos hidratados por mais tempo. Quando a ingestão de ômega-3 é insuficiente, essa barreira se torna deficiente e os sintomas de olho seco se instalam.
Um estudo amplo com mais de 32 mil mulheres mostrou que aquelas com maior consumo de ômega-3 na dieta apresentaram risco 17% menor de desenvolver sintomas de síndrome do olho seco. Peixes como salmão, sardinha e atum, além de sementes de linhaça, chia e nozes, são as principais fontes alimentares desses ácidos graxos essenciais.

Qual o papel da riboflavina e das vitaminas do complexo B na saúde ocular?
A riboflavina, conhecida como vitamina B2, atua como antioxidante na superfície ocular e auxilia na redução da inflamação e da dor neuropática associadas ao olho seco. Sua deficiência prolongada compromete a proteção das células oculares contra o estresse oxidativo e pode agravar sintomas como ardência e fotofobia. Leite, ovos, carnes e vegetais verde-escuros são fontes importantes desse nutriente.
Além da riboflavina, outras vitaminas do complexo B, como a tiamina (B1) e a piridoxina (B6), colaboram para a saúde dos nervos que inervam a córnea. A combinação dessas vitaminas favorece a proteção ocular e contribui para a manutenção de uma produção lacrimal equilibrada.
Revisão científica reforça a ligação entre deficiências nutricionais e olho seco
A associação entre carências vitamínicas e a doença do olho seco tem sido cada vez mais investigada pela oftalmologia baseada em evidências. Segundo a revisão Dry Eye Disease and Vitamins: A Narrative Literature Review, publicada no periódico Applied Sciences, deficiências de vitaminas A, D, do complexo B e de ácidos graxos ômega-3 estão associadas a um risco aumentado de desenvolvimento da doença do olho seco. Os autores destacaram que a suplementação vitamínica pode ser uma estratégia eficaz no tratamento dessa condição, especialmente em pacientes que não respondem bem às terapias convencionais com colírios.
O estudo reuniu evidências de pesquisas clínicas e experimentais, reforçando que a correção de deficiências nutricionais específicas melhora parâmetros como o tempo de ruptura do filme lacrimal e a produção de lágrimas avaliada pelo teste de Schirmer.
Quando procurar um oftalmologista para investigar a causa do olho seco
Embora fatores como uso prolongado de telas, ar condicionado e envelhecimento contribuam para o ressecamento ocular, alguns sinais sugerem que a causa pode estar relacionada a deficiências nutricionais. Merecem atenção especial as seguintes situações:

A avaliação oftalmológica é fundamental para identificar a causa exata do olho seco e definir o tratamento mais adequado. Exames de sangue simples podem detectar deficiências de vitamina A, vitamina D e outros micronutrientes, permitindo uma abordagem terapêutica individualizada que vá além do uso isolado de lágrimas artificiais.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento indicado por um profissional de saúde.









