Ver fios de cabelo acumulados no ralo do chuveiro ou perceber que as unhas quebram com facilidade pode parecer algo banal, relacionado ao estresse, à alimentação ou ao envelhecimento natural. Mas quando esses sinais aparecem juntos e persistem por semanas, especialmente acompanhados de cansaço constante, sensação de frio fora do comum ou ganho de peso sem razão aparente, o corpo pode estar enviando um recado importante: a tireoide pode não estar funcionando como deveria. A boa notícia é que um exame de sangue simples é suficiente para investigar essa possibilidade.
Por que a tireoide afeta diretamente o cabelo e as unhas
A tireoide é uma glândula localizada na base do pescoço responsável por produzir os hormônios T3 e T4, que regulam o ritmo metabólico de praticamente todos os tecidos do corpo. Quando há desequilíbrio nessa produção, seja por excesso no hipertireoidismo ou por falta no hipotireoidismo, o organismo inteiro sente as consequências, e a pele, o cabelo e as unhas estão entre os primeiros a dar sinais visíveis.
Isso acontece porque os folículos capilares dependem diretamente dos hormônios tireoidianos para completar o ciclo de crescimento do cabelo. No hipotireoidismo, o metabolismo desacelera e as células do folículo ficam presas na fase de repouso por mais tempo do que o normal, resultando em queda difusa, fios ressecados e sem brilho. Nas unhas, o mesmo processo reduz a velocidade de crescimento e compromete a estrutura, tornando-as frágeis, quebradiças e com estrias.

O que a revisão científica mais recente revela sobre tireoide, cabelo e unhas
A ligação entre disfunção tireoidiana e alterações capilares e ungueais tem embasamento robusto na literatura médica atual. A revisão sistemática Impact of Thyroid Dysfunction on Hair Disorders, publicada na revista Cureus em agosto de 2023, analisou estudos publicados entre 2010 e 2022 e concluiu que a queda de cabelo ocorre em aproximadamente 50% dos casos de hipertireoidismo e em 33% dos casos de hipotireoidismo. Segundo essa revisão sistemática publicada na Cureus, um dado especialmente relevante é que a queda de cabelo pode preceder em meses o aparecimento de outros sintomas da disfunção tireoidiana, tornando o sinal capilar um alerta precoce que merece atenção antes mesmo que outros sinais se manifestem. Em relação às unhas, dados da literatura indicam que a fragilidade ungueal aparece em cerca de 70% dos pacientes com hipotireoidismo.
Os sinais que merecem atenção além do cabelo e das unhas
A disfunção tireoidiana raramente se manifesta com um sintoma isolado. Ela costuma apresentar um conjunto de sinais que, juntos, aumentam a suspeita clínica. Os principais sinais que podem acompanhar a queda de cabelo e as unhas fracas incluem:
- Cansaço persistente mesmo após dormir bem: O hipotireoidismo desacelera o metabolismo celular, resultando em fadiga que não melhora com repouso e que piora ao longo do dia.
- Sensibilidade exagerada ao frio: A circulação periférica fica reduzida quando os hormônios tireoidianos estão baixos, fazendo a pessoa sentir frio em situações que para os outros são confortáveis.
- Ganho de peso sem mudança nos hábitos: Com o metabolismo mais lento, o organismo queima menos calorias e retém mais água e sal, o que se reflete no peso mesmo sem alteração na alimentação.
- Pele seca e com aspecto áspero ou escamoso: A produção de suor diminui e a renovação celular fica mais lenta, afetando a hidratação natural da pele.
- Intestino mais lento e constipação frequente: O trânsito intestinal também desacelera com a queda dos hormônios tireoidianos, agravando a constipação.
- Alterações de humor, memória e concentração: A função cerebral depende dos hormônios tireoidianos, e sua falta pode provocar lentidão de raciocínio, esquecimentos e sensação de névoa mental.

Quais exames investigar e quando procurar o médico
O diagnóstico das disfunções tireoidianas é feito por exames de sangue simples e disponíveis em qualquer laboratório de rotina. O principal exame de rastreamento é o TSH, que mede o hormônio estimulante da tireoide produzido pela hipófise. Quando o TSH está elevado, indica que a tireoide está trabalhando abaixo do esperado, configurando hipotireoidismo. Exames de T3 livre, T4 livre e anticorpos anti-TPO completam a avaliação e ajudam a identificar causas autoimunes como a tireoidite de Hashimoto, a forma mais comum de hipotireoidismo.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia recomenda que adultos com sintomas compatíveis, especialmente mulheres acima de 40 anos e pessoas com histórico familiar de doença tireoidiana, realizem a dosagem de TSH como parte dos exames de rotina anuais. Para mais informações sobre os sintomas e o diagnóstico do hipotireoidismo, confira o conteúdo especializado do Tua Saúde. Quando a queda de cabelo e as unhas fracas aparecerem acompanhadas de dois ou mais sinais descritos acima, a consulta com um endocrinologista é o caminho mais indicado para chegar ao diagnóstico correto e iniciar o tratamento adequado.
Aviso: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Ele não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um médico ou profissional de saúde qualificado. O diagnóstico de doenças da tireoide deve ser feito por um médico endocrinologista com base em avaliação clínica e exames laboratoriais.









