A coloração das fezes dos lactentes é um dos principais termômetros da sua saúde digestiva, gerando dúvidas frequentes entre pais e cuidadores. O cocô verde do bebê, embora assuste à primeira vista, costuma estar relacionado a fatores fisiológicos comuns, como a velocidade do trânsito intestinal ou a dieta, mas também pode sinalizar processos infecciosos ou sensibilidades alimentares que exigem uma investigação detalhada com base em evidências clínicas.
Por que o mecônio e a transição alteram a cor?
Nos primeiros dias de vida, a eliminação do mecônio é o primeiro sinal de funcionalidade intestinal, apresentando uma cor verde-escura resultante de resíduos amnióticos e bile acumulada. Segundo o estudo “Microbiome of the first stool after birth and infantile colic“, essa transição para o verde-claro é um marcador biológico da colonização bacteriana inicial.
À medida que o leite materno ou fórmula é introduzido, a cor das fezes reflete a adaptação enzimática. Esse processo é puramente fisiológico e ocorre devido à oxidação parcial dos pigmentos biliares no intestino grosso, antes que a flora intestinal se estabilize para produzir a cor amarela característica.
Como a amamentação influencia o cocô verde?
A dinâmica da amamentação pode causar fezes esverdeadas se houver um desequilíbrio entre o leite anterior (rico em lactose) e o posterior (rico em gordura). O estudo “The influence of breast milk on the intestinal microbiot of the newborn“, explica que o excesso de lactose pode acelerar a motilidade gástrica, reduzindo o tempo de contato com a enzima lactase.
Para equilibrar a digestão e normalizar a cor das fezes, é importante focar na técnica de amamentação correta para garantir a ingestão de lipídios:
- Esvaziamento completo: Permite que o bebê acesse o leite rico em gordura, que retarda o trânsito intestinal.
- Estabilização da bile: O leite gorduroso favorece a conversão da biliverdina (verde) em bilirrubina (amarelo).
- Prevenção de cólicas: O equilíbrio de nutrientes reduz a fermentação excessiva de açúcares no cólon.

Quais infecções e sensibilidades causam o tom verde?
O surgimento de fezes verdes associadas a muco pode indicar uma resposta inflamatória intestinal. No estudo “Use of stool color card as screening tool for biliary atresia in resource-constraint country”, observa-se que em quadros infecciosos a bile passa pelo trato digestivo de forma tão rápida que não sofre a ação das bactérias redutoras, mantendo sua cor original.
Além das infecções, a sensibilidade proteica é uma causa documentada. Abaixo, listamos os principais indicadores de que a cor verde pode estar associada a patologias, conforme descrito na literatura pediátrica:
Como o uso de medicamentos altera as fezes?
O uso de suplementos ou medicamentos altera o ambiente químico intestinal, refletindo diretamente na cor das fezes. O estudo “The effects of iron fortification and supplementation on the gut microbiome and diarrhea in infants and children: a review“, confirma que o ferro não absorvido oxida no intestino, conferindo um tom verde-musgo ou quase preto ao bolo fecal.
Antibióticos também provocam mudanças drásticas na microbiota. Segundo diretrizes da ANVISA, a redução da flora bacteriana benéfica impede a degradação normal dos pigmentos biliares, resultando em fezes verdes e, por vezes, mais fluidas até que a flora seja restabelecida.
Quando o cocô verde indica necessidade de exames?
Se a alteração na cor for isolada e o bebê estiver ganhando peso, as evidências científicas sugerem apenas observação. No entanto, o artigo “Growth in exclusively breastfed infants“, ressalta que a persistência do quadro associada ao baixo ganho ponderal exige a realização de exames de gordura fecal e pH das fezes.
A análise clínica foca em verificar a eficiência digestiva e a presença de agentes patogênicos. Manter um registro preciso da dieta e das eliminações auxilia o médico a diferenciar um processo adaptativo normal de uma condição que demande intervenção terapêutica.
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e não substitui a consulta médica. Caso note alterações persistentes no comportamento do bebê ou sinais de desconforto, busque orientação médica profissional imediatamente.









