A deficiência de zinco nem sempre está ligada a uma dieta pobre no mineral. Em muitos casos, o problema começa no intestino, que perde a capacidade de absorver o nutriente de forma adequada. Diarreias frequentes, doenças inflamatórias intestinais e outras alterações digestivas aumentam as perdas e reduzem os níveis de zinco no organismo, mesmo em pessoas com alimentação equilibrada.
Como o intestino delgado absorve o zinco?
O zinco chega ao organismo pelos alimentos e é absorvido principalmente no intestino delgado, especialmente no jejuno. Nessa região, células especializadas transportam o mineral para a corrente sanguínea, de onde ele segue para tecidos como pele, cabelo, ossos e sistema imunológico.
Quando a mucosa intestinal está inflamada, danificada ou passa por episódios frequentes de diarreia, esse processo de absorção falha. O zinco acaba sendo eliminado nas fezes antes de ser aproveitado, e o corpo entra em um estado de deficiência progressiva.
Por que doenças intestinais reduzem os níveis de zinco?
Condições como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa provocam inflamação crônica na parede intestinal, comprometendo tanto a absorção quanto o aumento das perdas do mineral pelas fezes. Nessas doenças, a diarreia recorrente é um dos principais mecanismos de depleção.
Cirurgias intestinais, síndrome do intestino curto e doença celíaca também estão associadas a quadros persistentes de deficiência, mesmo com boa ingestão alimentar.

Quais sintomas indicam falta de zinco no organismo?
Os sinais costumam ser inespecíficos e evoluir de forma silenciosa, o que dificulta o reconhecimento precoce. Ficar atento ao conjunto de sintomas ajuda a diferenciar a deficiência de outras causas comuns:
- Cabelo e unhas: queda difusa dos fios, unhas frágeis, quebradiças e com manchas brancas.
- Imunidade: infecções respiratórias recorrentes, gripes frequentes e cicatrização lenta de feridas.
- Pele e mucosas: lesões cutâneas, aftas frequentes, ressecamento e dermatites.
- Paladar e olfato: perda ou distorção do sabor dos alimentos e redução do apetite.
- Intestino: diarreia persistente, que pode ser causa e consequência da deficiência.
O que a ciência mostra sobre zinco e saúde intestinal?
Publicações internacionais reforçam que perdas gastrointestinais e má absorção estão entre as causas mais relevantes da deficiência do mineral. De acordo com o fact sheet Zinc Fact Sheet for Health Professionals, publicado pelo NIH Office of Dietary Supplements, pessoas com doenças gastrointestinais como Crohn e colite ulcerativa apresentam maior risco de deficiência de zinco em razão da redução da absorção e do aumento das perdas intestinais, mesmo com ingestão dietética adequada.

Como confirmar a deficiência e o que fazer?
O diagnóstico envolve avaliação clínica, análise da alimentação, investigação de doenças intestinais e exame de sangue para dosar o zinco sérico. Diante de sinais como queda de cabelo persistente, infecções frequentes e cicatrização lenta, é essencial procurar orientação médica antes de iniciar qualquer suplementação por conta própria.
O excesso de zinco também é prejudicial, podendo causar náuseas, dor abdominal e reduzir a absorção de cobre e ferro. O tratamento deve ser individualizado, com alimentos ricos em zinco como carnes, ovos, sementes de abóbora e leguminosas, além de suplementação apenas quando indicada por profissional qualificado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança.









