O ferro bisglicinato quelato costuma ser a forma mais bem tolerada e absorvida pelo intestino, sendo uma alternativa promissora ao tradicional sulfato ferroso no tratamento da anemia por deficiência de ferro. Isso porque a molécula quelada atravessa a mucosa intestinal por uma rota diferente, o que reduz efeitos como náusea, prisão de ventre e dor abdominal, e melhora a adesão ao tratamento. Entenda a seguir como cada tipo de ferro age no organismo e o que a ciência diz sobre a melhor escolha.
Qual a diferença entre ferro bisglicinato e sulfato ferroso?
O sulfato ferroso é um sal inorgânico usado há décadas e considerado o padrão de referência no tratamento da anemia ferropriva. Contudo, ao chegar ao intestino, libera ferro livre que pode irritar a mucosa e causar sintomas gastrointestinais frequentes.
Já o ferro bisglicinato é uma forma quelada, ligada a duas moléculas do aminoácido glicina. Essa estrutura protege o ferro durante a digestão, evita reações com outros nutrientes e permite que o mineral seja absorvido de maneira mais estável, mesmo quando ingerido com alimentos.
Por que o ferro bisglicinato causa menos desconforto no intestino?
A quelação impede que o ferro reaja com o meio ácido do estômago e libere partículas livres que agridem a parede intestinal. Como consequência, sintomas como náusea, azia, cólica e prisão de ventre tornam-se menos frequentes.
Outra vantagem é que o bisglicinato mantém boa absorção mesmo com refeições, o que facilita o dia a dia de quem precisa fazer reposição de ferro oral por semanas ou meses seguidos, sem sofrer com efeitos gástricos.

O que a ciência diz sobre a tolerância ao sulfato ferroso?
Diversas revisões avaliaram a taxa de efeitos colaterais do sulfato ferroso em comparação com outras formulações. Os dados reforçam a orientação da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH) de individualizar o tratamento conforme a tolerância de cada paciente.
Segundo o estudo Ferrous Sulfate Supplementation Causes Significant Gastrointestinal Side-Effects in Adults, uma revisão sistemática com metanálise publicada na PLOS ONE, o sulfato ferroso mais que dobra o risco de sintomas gastrointestinais em comparação com placebo, com destaque para constipação, náusea e diarreia, o que compromete a adesão de muitos pacientes ao tratamento.
Quais são as vantagens do ferro bisglicinato quelato?
Estudos clínicos comparativos indicam que o bisglicinato oferece benefícios importantes para quem inicia a suplementação de ferro. Entre os principais destaques, estão:
- Menor incidência de efeitos colaterais como náusea, cólica, azia e prisão de ventre
- Maior biodisponibilidade, com boa absorção mesmo em doses menores de ferro elementar
- Absorção estável na presença de alimentos, dispensando o jejum obrigatório
- Menor interação com café, leite, chás e fitatos presentes na dieta
- Melhora na adesão ao tratamento prolongado, o que favorece a recuperação dos estoques de ferro
- Opção mais tolerada por gestantes, idosos e pessoas com gastrite ou doenças inflamatórias intestinais

Como escolher o suplemento de ferro mais adequado para cada caso?
A escolha do tipo de ferro depende de fatores como a gravidade da anemia, a tolerância digestiva, o uso de outros medicamentos e a fase da vida da pessoa. Alguns pontos importantes a considerar são:
- Avalie a intensidade da anemia por meio de exames como hemograma e ferritina antes de iniciar qualquer suplemento
- Considere a tolerância a suplementos anteriores, principalmente se houve desconforto gástrico
- Verifique o uso de medicamentos como antiácidos, que reduzem a absorção do ferro inorgânico
- Combine com fontes de vitamina C, como laranja e acerola, para potencializar a absorção
- Evite tomar junto com café, chá preto, leite e derivados, que atrapalham a biodisponibilidade
- Mantenha o acompanhamento médico para ajustar a dose e monitorar a recuperação dos níveis de ferro
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, hematologista ou nutricionista. A escolha, dose e duração da suplementação de ferro devem sempre ser feitas com orientação profissional individualizada.









