Uma pesquisa recente conduzida por cientistas italianos e publicada em uma das principais revistas de cardiologia do mundo trouxe um dado que acende um alerta importante: pessoas que sofreram infarto agudo do miocárdio apresentam níveis significativamente mais elevados de micro e nanoplásticos no sangue coronário quando comparadas a pacientes com doença cardíaca crônica ou com artérias saudáveis. O achado reforça a hipótese de que a poluição plástica pode ser um fator de risco cardiovascular ainda subestimado, ao lado do cigarro e da poluição do ar.
O que são micro e nanoplásticos e como chegam ao sangue?
Os microplásticos são partículas menores que 5 milímetros originadas da fragmentação de plásticos maiores, enquanto os nanoplásticos têm menos de 1 micrômetro. Ambos estão presentes no ar, na água potável, em embalagens de alimentos e em roupas sintéticas.
Essas partículas entram no organismo pela ingestão, inalação e até pela pele, e conseguem atravessar barreiras biológicas até alcançar a corrente sanguínea. Uma vez lá, podem se depositar em tecidos como pulmões, placenta, fígado e artérias.
O que a nova pesquisa revelou sobre o infarto?
Publicada em julho de 2026, a investigação analisou o sangue coronário de 61 pacientes divididos em três grupos: com infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (STEMI), com doença coronariana crônica e com artérias normais. Os resultados mostraram uma diferença marcante entre os grupos.
Segundo o estudo Micro- and nano-plastics in the coronary circulation and air pollution exposure in ischaemic heart disease presentation publicado no European Heart Journal, micro e nanoplásticos foram detectados em 84% dos pacientes que sofreram infarto, contra 40% dos pacientes com doença crônica e apenas 32% dos controles saudáveis, além de estarem associados a maior variedade de plásticos e a marcadores inflamatórios elevados.

Por que essas partículas podem afetar o coração?
Os pesquisadores observaram que a presença de micro e nanoplásticos vinha acompanhada de inflamação sistêmica, um dos mecanismos centrais no desenvolvimento da aterosclerose e na ruptura de placas de gordura que desencadeiam o infarto agudo do miocárdio. Essas partículas podem atuar como estressores biológicos, gerando resposta inflamatória crônica nas paredes das artérias.
Além disso, tabagismo e exposição prolongada à poluição atmosférica (PM2,5) mostraram-se fortemente relacionados a maiores concentrações de plásticos no sangue, sugerindo que o pulmão pode ser uma das principais portas de entrada dessas partículas.
Como reduzir a exposição no dia a dia?
Embora seja impossível eliminar totalmente o contato com plásticos, algumas mudanças na rotina podem diminuir de forma significativa a quantidade dessas partículas absorvidas pelo organismo. Pequenos ajustes acumulados ao longo do tempo ajudam a reduzir a carga total.
Confira algumas estratégias práticas:
- Evitar aquecer alimentos em recipientes plásticos, principalmente no micro-ondas, pois o calor libera mais partículas na comida.
- Preferir água filtrada em vez de garrafas plásticas descartáveis, especialmente se ficaram expostas ao sol ou ao calor.
- Reduzir alimentos ultraprocessados, que costumam ter maior contato com embalagens plásticas durante o processamento.
- Ventilar bem os ambientes internos, pois o ar de casa concentra fibras plásticas de tapetes, cortinas e roupas sintéticas.
- Trocar utensílios plásticos por vidro, cerâmica ou aço inox para armazenar e cozinhar alimentos.

O que a descoberta significa para a prevenção cardiovascular?
Os autores destacam que o estudo tem caráter observacional e envolve um número limitado de pacientes, o que impede afirmar que os microplásticos causam infarto diretamente. Ainda assim, os resultados se somam a evidências anteriores sobre partículas plásticas em placas de aterosclerose, reforçando a necessidade de mais pesquisas de larga escala.
Enquanto essas investigações avançam, os pilares tradicionais da prevenção seguem essenciais: controlar pressão, colesterol e diabetes, evitar o tabagismo, praticar exercícios e conhecer as principais causas de infarto, além de ficar atento a outras doenças cardiovasculares que compartilham fatores de risco.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um cardiologista para orientações personalizadas sobre prevenção e cuidados com a saúde do coração.









