Manter os níveis adequados de zinco no organismo depende de muito mais do que incluir carnes, sementes e leguminosas no cardápio. O excesso de fitatos presentes em cereais e grãos, doenças intestinais, uso frequente de diuréticos e consumo elevado de álcool interferem diretamente na absorção desse mineral. Reconhecer esses fatores ajuda a evitar deficiências silenciosas que comprometem imunidade, cicatrização, paladar e saúde da pele.
Por que os fitatos atrapalham a absorção do zinco?
Os fitatos são compostos naturalmente presentes em cereais, leguminosas, sementes e oleaginosas. No intestino, eles se ligam ao zinco e formam complexos insolúveis que o organismo não consegue absorver, reduzindo significativamente a biodisponibilidade do mineral, especialmente em dietas com pouca proteína animal.
Esse efeito é ainda mais relevante para vegetarianos, veganos e populações que dependem de grãos como base da alimentação. Nesses casos, mesmo o consumo aparentemente adequado de fontes vegetais pode não garantir níveis adequados de zinco absorvido.
Quais outros fatores comprometem a captação do mineral?
Além dos fitatos, condições clínicas e hábitos frequentes prejudicam a absorção intestinal e aumentam a eliminação do zinco pelo organismo. Doenças como celíaca, doença de Crohn e retocolite ulcerativa reduzem a captação no intestino delgado, mesmo com ingestão alimentar adequada.
O uso prolongado de diuréticos aumenta a eliminação urinária do mineral, e o consumo excessivo de álcool interfere tanto na absorção quanto na retenção. Cirurgias bariátricas, diarreias crônicas e diabetes descompensado também contribuem para a deficiência de zinco ao longo do tempo.

Como preparar os grãos para reduzir o efeito antinutricional?
Algumas técnicas caseiras simples ajudam a reduzir o teor de fitatos nos alimentos e aumentar o aproveitamento de zinco, ferro e outros minerais. Adotar essas práticas é uma estratégia acessível para melhorar a biodisponibilidade nutricional das refeições.
- Deixar feijões, lentilha, grão-de-bico e soja de molho por 8 a 12 horas antes do cozimento
- Descartar a água do remolho e cozinhar os grãos em água nova
- Preferir pães e massas com fermentação natural, que degradam parte dos fitatos
- Germinar sementes, cereais e leguminosas antes do consumo
- Torrar levemente sementes e oleaginosas para reduzir compostos antinutricionais
- Combinar fontes vegetais de zinco com alimentos ricos em proteína animal ou vitamina C
Como um estudo científico confirma o impacto dos fitatos?
A relação entre o consumo de alimentos ricos em fitatos e a baixa biodisponibilidade do zinco é amplamente documentada em pesquisas com metodologia robusta, incluindo o uso de isótopos estáveis para medir a absorção intestinal. Segundo o estudo Dietary phytate zinc and hidden zinc deficiency publicado no Journal of Trace Elements in Medicine and Biology, pelo menos uma em cada cinco pessoas no mundo está em risco de deficiência de zinco, em grande parte porque os fitatos presentes em cereais e leguminosas não são removidos durante o preparo dos alimentos, funcionando como ligantes potentes que impedem a absorção do mineral.
Materiais da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição seguem a mesma linha, reforçando que a avaliação do estado nutricional de zinco precisa considerar não apenas a ingestão, mas também os fatores dietéticos que interferem na sua absorção intestinal.

Quais sinais indicam que o zinco pode estar baixo?
A deficiência costuma se manifestar de forma silenciosa, com sintomas que se sobrepõem a outras carências nutricionais. Entre os mais comuns estão queda de cabelo, unhas fracas com manchas brancas, cicatrização lenta, infecções respiratórias frequentes e alterações no paladar e no olfato.
- Queda de cabelo difusa e afinamento dos fios
- Unhas quebradiças ou com manchas brancas recorrentes
- Cicatrização lenta de feridas e machucados
- Infecções respiratórias e resfriados frequentes
- Alteração ou perda parcial do paladar e do olfato
- Pele ressecada, irritada ou com lesões de difícil melhora
Diante de sintomas persistentes ou fatores de risco, é fundamental investigar por meio de exames de sangue e avaliar, com orientação profissional, a necessidade de ajustes na dieta ou de suplementação.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Consulte sempre um médico ou nutricionista para diagnóstico e orientação individualizada.









