O chá verde, rico em compostos antioxidantes como a EGCG, tem sido investigado como um possível aliado da memória e da função cognitiva, especialmente em adultos que já apresentam sinais leves de declínio. Pesquisas recentes sugerem que o consumo regular pode trazer benefícios discretos, mas reais, para o cérebro que envelhece, embora os efeitos ainda precisem ser interpretados com cautela.
Por que o chá verde é associado à memória?
O chá verde é obtido das folhas da Camellia sinensis e concentra catequinas, um grupo de polifenóis antioxidantes. A epigalocatequina galato (EGCG) é a mais estudada e tem sido associada à proteção dos neurônios contra o estresse oxidativo e a inflamação, dois fatores envolvidos no declínio cognitivo.
Além disso, a bebida contém L-teanina, um aminoácido que atua em sinergia com a cafeína e favorece um estado de atenção calma. Essa combinação ajuda a explicar por que a bebida figura entre os alimentos que melhoram a memória mais citados por pesquisas.
O que um estudo recente investigou sobre função cognitiva?
Uma pesquisa japonesa acompanhou por 12 meses adultos com declínio cognitivo subjetivo ou comprometimento cognitivo leve para avaliar os efeitos do consumo diário de matcha, uma variedade concentrada de chá verde. Segundo o estudo Effect of matcha green tea on cognitive functions and sleep quality in older adults with cognitive decline, publicado na revista PLOS One, participantes que consumiram 2 g de matcha por dia apresentaram melhora significativa no reconhecimento de emoções faciais e uma tendência de melhora na qualidade do sono, em comparação ao grupo placebo.
O ensaio foi randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, envolvendo 99 voluntários. Os pesquisadores destacam que, embora os testes cognitivos globais não tenham mudado de forma expressiva, os ganhos observados podem ser relevantes para retardar o avanço do declínio em fases iniciais.

Quais doses e formas foram usadas nas pesquisas?
As doses avaliadas em estudos com humanos variam bastante conforme o objetivo e o formato do produto. Isso ajuda a entender por que os resultados não são todos iguais e por que extratos concentrados exigem mais cautela do que a bebida tradicional. Veja os principais formatos investigados:
- Chá verde tradicional em infusão, geralmente de duas a quatro xícaras por dia, fornecendo entre 100 e 300 mg de catequinas.
- Matcha em pó, na quantidade de 2 g diários, o que equivale a cerca de 170 mg de catequinas e 48 mg de L-teanina.
- Extratos padronizados em cápsulas, com concentrações mais altas de EGCG, usadas em ensaios clínicos específicos e sob monitoramento.
- Combinações de extrato com L-teanina, estudadas em pessoas com comprometimento cognitivo leve em doses próximas a 1.680 mg por dia por 16 semanas.
Vale lembrar que a resposta ao chá verde é individual e depende também de outros fatores, como sono, alimentação e prática de atividade física, itens fundamentais para evitar a perda da memória ao longo dos anos.
Quais são as limitações dos estudos sobre chá verde e cognição?
Apesar dos resultados promissores, a maioria dos estudos ainda envolve grupos pequenos, períodos curtos e populações específicas, o que limita a generalização das conclusões. Muitos ensaios também combinam catequinas com outros compostos, dificultando isolar o efeito do chá verde.
Além disso, os benefícios cognitivos observados costumam ser modestos e complementares a outros hábitos saudáveis. O chá verde não substitui tratamentos médicos para condições como Alzheimer ou demência e não deve ser encarado como cura ou terapia isolada.

Quais cuidados são importantes para quem quer consumir chá verde?
Embora seja uma bebida geralmente segura, o chá verde exige atenção em algumas situações, sobretudo pela presença de cafeína e pela interação com medicamentos. Antes de aumentar o consumo com o objetivo de proteger a memória, considere os seguintes cuidados:
- Evite exageros, mantendo o consumo entre duas e quatro xícaras por dia para reduzir o risco de insônia, taquicardia e desconforto gástrico.
- Cuidado com extratos concentrados em cápsulas, já associados a casos raros de sobrecarga hepática, principalmente em doses altas ou por longos períodos.
- Atenção ao uso de medicamentos anticoagulantes, como a varfarina, pois as catequinas podem interferir na coagulação.
- Fique atento a remédios para pressão, tireoide, antidepressivos e estimulantes, que podem ter sua ação alterada pela cafeína e pelos polifenóis da bebida.
- Prefira consumir entre as refeições, evitando prejudicar a absorção de ferro em pessoas com anemia ou tendência à deficiência.
- Gestantes, lactantes e pessoas com condições crônicas devem conversar com o médico antes de aumentar o consumo ou usar suplementos.
Para conhecer outras opções de bebidas com propriedades funcionais, vale explorar os diferentes tipos de chá e seus benefícios antes de definir uma rotina que combine com o seu perfil de saúde.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, nutricionista ou outro profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um especialista antes de iniciar o consumo regular de chá verde, especialmente em caso de uso contínuo de medicamentos ou condições de saúde preexistentes.









