Uma nova pesquisa italiana identificou concentrações significativamente maiores de micro e nanoplásticos no sangue de pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio, quando comparados a pessoas com doença coronariana crônica ou artérias saudáveis. A descoberta reforça a hipótese de que a poluição plástica pode influenciar a saúde cardiovascular, embora ainda não seja possível afirmar uma relação direta de causa e efeito entre essas partículas e o ataque cardíaco.
O que são micro e nanoplásticos?
Os microplásticos são fragmentos de plástico menores que 5 milímetros, resultantes da degradação de embalagens, tecidos sintéticos, cosméticos e utensílios descartáveis. Os nanoplásticos são ainda menores, invisíveis a olho nu, e conseguem atravessar barreiras biológicas com mais facilidade.
Essas partículas já foram detectadas no ar, na água potável, em alimentos, no leite materno e em diversos tecidos humanos. A exposição é praticamente inevitável na vida moderna, o que torna essencial entender seus possíveis efeitos sobre o organismo.
Como essas partículas chegam à circulação sanguínea?
A entrada dos plásticos no corpo acontece principalmente pela ingestão de alimentos e bebidas contaminados, pela inalação de partículas suspensas no ar e pelo contato com produtos plásticos aquecidos. Após ultrapassarem as barreiras intestinais e pulmonares, essas partículas alcançam a corrente sanguínea.
Uma vez circulantes, elas podem se depositar em órgãos como fígado, rins e coração. Estudos anteriores já haviam documentado a presença dessas partículas em placas de gordura nas artérias, o que ajuda a explicar o interesse crescente da cardiologia pelo tema e sua relação com o infarto agudo do miocárdio.

O que diz o estudo publicado no European Heart Journal?
Segundo o estudo Micro- and nano-plastics in the coronary circulation and air pollution exposure in ischaemic heart disease presentation, publicado em julho de 2026 no European Heart Journal, pesquisadores italianos analisaram amostras de sangue coronariano e periférico de 61 pacientes submetidos a angiografia em hospitais universitários de Roma e Verona.
Os participantes foram divididos entre pacientes com infarto com supradesnivelamento do segmento ST, portadores de síndrome coronariana crônica e indivíduos com artérias normais. Micro e nanoplásticos foram detectados em 84,2% dos infartados, contra 40% do grupo crônico e 31,8% dos controles, com predominância do polietileno.
Quais fatores aumentam a exposição aos microplásticos?
Além da presença ambiental, alguns hábitos e condições elevam a quantidade dessas partículas na circulação, conforme observado pelos pesquisadores italianos:
- Tabagismo, que aumentou em cerca de 5,7 vezes a chance de detectar plásticos no sangue
- Exposição prolongada à poluição atmosférica, especialmente ao material particulado fino conhecido como PM2,5
- Consumo frequente de alimentos e bebidas em embalagens plásticas, sobretudo quando aquecidas
- Uso recorrente de utensílios plásticos descartáveis em contato com líquidos quentes
- Ambientes urbanos com tráfego intenso e maior concentração de poluentes

Como reduzir a exposição e proteger o coração?
Ainda que não seja possível eliminar totalmente o contato com microplásticos, algumas escolhas ajudam a diminuir a exposição e a preservar a saúde cardiovascular, sobretudo para quem já convive com risco de doenças cardiovasculares:
- Prefira recipientes de vidro, aço inoxidável ou cerâmica para armazenar e aquecer alimentos
- Evite abrir garrafas plásticas expostas ao sol ou reutilizá-las repetidamente
- Reduza o consumo de água engarrafada, dando preferência a filtros domésticos
- Abandone o cigarro e evite ambientes com fumaça de tabaco
- Ventile a casa regularmente e reduza o uso de tecidos sintéticos em contato direto com a pele
- Mantenha uma dieta rica em fibras, frutas e vegetais, que favorecem a eliminação de toxinas
Diante das evidências crescentes sobre a relação entre poluição plástica e doenças cardíacas, qualquer sintoma como dor no peito, falta de ar ou cansaço incomum deve ser investigado. Consulte sempre um cardiologista para avaliação individual, exames adequados e orientação sobre prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









