Dormir mal por várias noites e acordar sem disposição parece coisa de rotina puxada, mas nem sempre é. Quando a insônia se torna recorrente e vem acompanhada de irritabilidade constante, dor de cabeça matinal e cansaço extremo, o problema pode estar na respiração durante o sono. A apneia obstrutiva do sono é uma das causas mais subestimadas de sono não reparador e traz consequências que vão muito além do humor alterado, incluindo maior risco cardiovascular.
O que é apneia do sono?
A apneia do sono é um distúrbio respiratório caracterizado por pausas repetidas na respiração enquanto a pessoa dorme. Essas interrupções acontecem porque as vias aéreas superiores relaxam e obstruem a passagem de ar, mesmo com o esforço para respirar.
A cada pausa, o cérebro desperta brevemente para retomar a respiração, muitas vezes sem que a pessoa perceba. Esse ciclo pode se repetir dezenas de vezes por hora, fragmentando o sono e impedindo o descanso profundo necessário para a recuperação do corpo.
Como as pausas respiratórias afetam o sono e o humor?
Cada micro-despertar tira o corpo dos estágios profundos do sono, aqueles em que ocorrem a consolidação da memória e a regulação hormonal. O resultado é um sono superficial, mesmo após muitas horas na cama.
A fragmentação repetida do sono está diretamente ligada à insônia de manutenção, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e alterações de humor. Muitas pessoas confundem esses sinais com estresse do dia a dia e demoram anos para procurar ajuda.

Como um estudo da AHA relaciona apneia e risco cardiovascular?
A relação entre apneia do sono e saúde do coração é bem documentada em literatura científica de peso. Segundo a declaração científica Obstructive Sleep Apnea and Cardiovascular Disease, publicada na revista Circulation pela American Heart Association em 2021, cerca de 34% dos homens e 17% das mulheres de meia-idade preenchem critérios diagnósticos para apneia obstrutiva do sono.
Os autores destacam que a hipoxemia intermitente, a ativação do sistema nervoso simpático e a fragmentação do sono causadas pelas pausas respiratórias aumentam o risco de hipertensão arterial, arritmias, doença coronariana, insuficiência cardíaca e AVC.
Quais são os principais sinais de alerta?
A apneia do sono pode passar despercebida por anos, mas alguns sintomas ajudam a levantar a suspeita. Fique atento se você apresenta:
- Ronco alto e frequente, muitas vezes relatado por quem dorme ao lado
- Pausas respiratórias percebidas pelo parceiro durante a noite
- Sensação de sufocamento ou engasgo ao acordar
- Sono não reparador, mesmo após 7 ou 8 horas na cama
- Sonolência excessiva durante o dia, com risco em atividades como dirigir
- Dor de cabeça matinal e boca seca ao acordar
- Irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração
- Pressão alta de difícil controle e batimentos cardíacos irregulares

Como é feito o diagnóstico com polissonografia?
De acordo com a Associação Brasileira do Sono, a suspeita clínica deve ser confirmada por um exame específico chamado polissonografia, considerado o padrão-ouro para o diagnóstico da apneia. Realizado em laboratório do sono ou em versão simplificada domiciliar, o exame registra durante a noite:
- Fluxo respiratório pelo nariz e boca, para identificar pausas e reduções
- Níveis de oxigênio no sangue ao longo da madrugada
- Frequência cardíaca e ritmo dos batimentos
- Ondas cerebrais, movimentos dos olhos e dos músculos
- Posição do corpo e presença de ronco
Com base nesses dados, o médico do sono calcula o índice de apneia e hipopneia por hora e define a gravidade do quadro. O tratamento pode envolver mudanças de hábitos, perda de peso, uso de aparelhos intraorais ou do CPAP, dispositivo que mantém as vias aéreas abertas durante o sono. Diante de sintomas persistentes de insônia, irritabilidade ou cansaço, o mais indicado é procurar avaliação especializada em distúrbios do sono o quanto antes.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas persistentes, procure orientação médica.









