Fantosmia é a percepção de um odor inexistente, como cheiro de queimado, fumaça ou cigarro, sem fonte real por perto. Essa alteração do olfato pode surgir após infecções virais, crises de enxaqueca, inflamação nasal ou mudanças no sistema nervoso. Quando o sintoma se repete, dura vários dias ou vem acompanhado de dor de cabeça, tontura ou perda olfatória, vale investigar a causa.
O que é fantosmia e por que esse cheiro fantasma aparece?
O cheiro fantasma acontece quando o cérebro interpreta um estímulo olfatório sem que haja moléculas no ambiente para ativar o nariz de forma normal. Em alguns casos, a origem está na mucosa nasal, nos seios da face ou em sequelas de resfriados e COVID-19. Em outros, a alteração envolve vias neurais ligadas à percepção dos odores.
A fantosmia pode ser percebida em uma ou nas duas narinas, de forma contínua ou intermitente. O relato mais comum inclui cheiro de queimado, fumaça, mofo, gás ou cigarro. Isso difere da parosmia, em que um odor real chega distorcido e passa a ser sentido como desagradável.
O que a pesquisa recente mostra sobre essa alteração do olfato?
Pesquisa publicada analisou pessoas com distorções olfatórias persistentes após COVID-19 e comparou diferentes estratégias terapêuticas com o treinamento olfatório isolado. Embora o foco principal fosse a parosmia, o trabalho ajuda a entender a recuperação de quadros qualitativos do olfato, grupo em que a fantosmia costuma ser investigada na prática clínica. O estudo está disponível em estratégias terapêuticas para distorções persistentes do olfato.
Outra investigação na mesma linha apontou que a presença de fantosmia após COVID-19 pode estar ligada a uma evolução mais prolongada da disfunção olfatória. Isso reforça a necessidade de acompanhar sintomas persistentes, principalmente quando há redução da percepção de cheiros e sabores ao mesmo tempo. Os dados podem ser lidos em pior evolução da disfunção olfatória ao longo do tempo.

Quando sentir cheiro de cigarro do nada pede avaliação médica?
Nem todo episódio isolado indica um problema grave, mas alguns sinais pedem atenção. Se o odor aparece com frequência, piora com o tempo ou surge junto de outros sintomas neurológicos ou nasais, a avaliação médica ajuda a definir se a origem está no nariz, em processos inflamatórios ou em circuitos cerebrais ligados ao olfato.
- persistência por vários dias ou semanas
- perda de olfato ou alteração do paladar
- dor facial, congestão ou secreção nasal
- dor de cabeça forte, aura ou crises de enxaqueca
- tontura, confusão, desmaio ou convulsão
Se a dúvida for especificamente a sensação de cheiro de cigarro, há uma explicação objetiva sobre causas possíveis e momento adequado de procurar atendimento.
Quais são as causas mais comuns dessa percepção de odor inexistente?
A fantosmia pode ter origens variadas. Entre as causas mais lembradas estão rinossinusite, pólipos nasais, infecções respiratórias, sequelas pós-virais, exposição a substâncias irritantes, crises de enxaqueca e algumas alterações do sistema nervoso. Também pode ocorrer após traumatismo craniano ou em fases de recuperação do epitélio olfatório.
- inflamação nasal e sinusite
- pós-COVID e outras viroses
- enxaqueca com aura
- uso de alguns medicamentos
- trauma na cabeça
- distúrbios neurológicos que exigem investigação
Como costuma ser feita a investigação do olfato?
A avaliação começa com a história clínica. O médico costuma perguntar quando o sintoma começou, qual é o tipo de odor percebido, se existe gatilho, se houve infecção recente e se há redução do paladar. Exame do nariz, análise de medicamentos em uso e investigação de cefaleia ou sinais neurológicos fazem parte do raciocínio clínico.
Dependendo do quadro, podem ser solicitados endoscopia nasal, testes de função olfatória e exames de imagem. O objetivo é diferenciar um problema localizado na cavidade nasal de uma alteração em vias centrais do processamento dos odores. Esse passo define condutas mais precisas e evita tratar apenas o sintoma.
O que pode ajudar no tratamento e no acompanhamento?
O manejo depende da causa. Quando há inflamação nasal, o foco é controlar o processo irritativo. Em quadros pós-virais, o treinamento olfatório pode ser considerado, sempre com orientação profissional. Se houver suspeita de enxaqueca, epilepsia, lesão neurológica ou efeito adverso de remédio, a condução muda completamente.
Persistência, repetição e associação com perda de cheiro, alteração de sabor, cefaleia ou sintomas nasais são pistas clínicas importantes. Em vez de banalizar o odor de queimado ou cigarro, o mais prudente é observar frequência, duração e contexto, porque esses detalhes ajudam a localizar se a alteração está no nariz, nas vias olfatórias ou no processamento cerebral.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Se você apresenta sintomas ou tem dúvidas sobre sua condição, procure orientação médica.









