Tomar polivitamínico todos os dias não parece aumentar a expectativa de vida em adultos saudáveis, segundo uma grande análise feita com mais de 390 mil pessoas acompanhadas por mais de 20 anos. A descoberta não significa que vitaminas sejam inúteis, mas mostra que suplementar sem necessidade não substitui alimentação equilibrada, sono, atividade física e acompanhamento médico.
O que é um polivitamínico
O polivitamínico é um suplemento que reúne várias vitaminas e, em alguns casos, minerais como zinco, ferro, magnésio ou cálcio. Ele pode ser útil quando existe deficiência nutricional, dieta muito restritiva, baixa absorção intestinal ou maior necessidade em fases específicas da vida.
O problema é usar o suplemento como uma espécie de “seguro de saúde” diário, sem avaliar se há falta real de nutrientes. Segundo o National Cancer Institute, a análise não encontrou menor risco de morte entre usuários regulares de multivitamínicos.

O que diz o estudo científico sobre polivitamínico
O estudo de coorte Multivitamin Use and Mortality Risk in 3 Prospective US Cohorts, publicado na JAMA Network Open, avaliou 390.124 adultos dos Estados Unidos, geralmente saudáveis no início da pesquisa, sem histórico de câncer ou outras doenças crônicas importantes.
Os participantes foram acompanhados por mais de 20 anos, e os pesquisadores ajustaram os dados para fatores como qualidade da dieta, escolaridade, raça, etnia e estilo de vida. O resultado foi direto: o uso diário de polivitamínico não foi associado a menor risco de morte por qualquer causa, câncer, doenças cardíacas ou doenças cerebrovasculares.
Quando o suplemento pode fazer sentido
Apesar do resultado, o estudo não elimina o papel dos suplementos em situações específicas. O ponto principal é que eles devem corrigir necessidades reais, não compensar hábitos ruins ou servir como promessa de longevidade.
- Dietas muito restritivas, como algumas dietas veganas sem planejamento adequado;
- Gravidez ou amamentação, quando há maior demanda por nutrientes específicos;
- Cirurgia bariátrica ou doenças que reduzem a absorção intestinal;
- Deficiência confirmada em exames, como falta de vitamina D, B12 ou ferro.
Riscos de tomar sem orientação
Vitaminas também podem causar problemas quando usadas em excesso, principalmente as lipossolúveis, como A, D, E e K, que podem se acumular no organismo. Além disso, combinar vários suplementos aumenta o risco de ultrapassar doses seguras sem perceber.
- Vitamina A em excesso pode ser tóxica e exige cuidado especial na gestação;
- Ferro sem necessidade pode causar efeitos gastrointestinais e sobrecarga em algumas pessoas;
- Vitamina D em altas doses pode elevar o cálcio no sangue;
- Interações com remédios podem ocorrer, especialmente em quem usa anticoagulantes.

O que fazer para viver melhor
A mensagem prática é simples: o polivitamínico pode ajudar quem tem deficiência, mas não mostrou capacidade de fazer adultos saudáveis viverem mais. Para entender melhor indicações, formas de uso e contraindicações, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre polivitamínico.
Para a maioria das pessoas, o caminho mais consistente continua sendo comer alimentos variados, incluindo frutas, legumes, verduras, feijões, grãos integrais e boas fontes de proteína. Quando houver cansaço persistente, queda de cabelo, unhas fracas ou suspeita de carência nutricional, o ideal é investigar antes de suplementar.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









