Encontrar microplásticos nas artérias chamou atenção porque essas partículas foram identificadas dentro de placas de gordura retiradas da carótida, uma artéria importante para a circulação do cérebro. O achado não prova que o plástico cause infarto ou AVC sozinho, mas sugere uma possível ligação entre exposição ambiental, inflamação e risco cardiovascular.
O que são microplásticos nas artérias
Microplásticos são partículas muito pequenas formadas pela degradação de embalagens, tecidos sintéticos, pneus, tintas e outros materiais plásticos. Quando ainda menores, recebem o nome de nanoplásticos, capazes de circular pelo corpo com mais facilidade.
No caso das artérias, a preocupação é que essas partículas possam se alojar em placas de aterosclerose, que são depósitos de gordura, cálcio e células inflamatórias. Essas placas podem estreitar os vasos e, se instáveis, aumentar o risco de infarto e AVC.

O que o estudo do NEJM mostrou
O achado ganhou força porque veio de um estudo clínico em pessoas que já tinham estreitamento importante da carótida e passaram por cirurgia para retirar a placa. Depois, os pesquisadores analisaram se havia microplásticos e nanoplásticos nesse material.
Segundo o estudo observacional Microplastics and Nanoplastics in Atheromas and Cardiovascular Events, publicado no New England Journal of Medicine, pacientes com partículas detectadas na placa tiveram maior risco de infarto, AVC ou morte por qualquer causa durante cerca de 34 meses de acompanhamento, em comparação com aqueles sem partículas detectadas.
Por que isso pode ser perigoso
A principal hipótese é que microplásticos e nanoplásticos possam favorecer inflamação, estresse oxidativo e alterações na parede dos vasos. Esses processos estão ligados à instabilidade das placas, que é um dos mecanismos envolvidos em eventos cardiovasculares graves.
- Podem se acumular em tecidos inflamados, como placas de aterosclerose;
- Podem estimular resposta inflamatória local;
- Podem se associar a outros poluentes presentes no ambiente;
- Ainda não está claro se são causa direta ou marcador de exposição.
De onde vem a exposição diária
A exposição aos microplásticos ocorre por várias fontes pequenas ao longo do tempo. Por isso, a redução do contato depende mais de mudanças consistentes do que de uma única medida radical.
- Água e alimentos armazenados em embalagens plásticas;
- Aquecimento de comida em potes plásticos;
- Peixes, frutos do mar e sal contaminados por resíduos ambientais;
- Poeira doméstica, tecidos sintéticos e partículas liberadas por pneus;
- Cosméticos, tintas e produtos com partículas plásticas.

Como reduzir o risco no dia a dia
Para diminuir a exposição, vale evitar aquecer alimentos em plástico, preferir recipientes de vidro ou inox, reduzir ultraprocessados embalados, filtrar a água quando necessário e manter a casa ventilada e limpa para reduzir poeira. Também é útil priorizar alimentos frescos e variar as fontes de proteína.
Mesmo com essa preocupação, os fatores clássicos continuam sendo os mais importantes para proteger as artérias: controlar pressão, colesterol, diabetes, peso, tabagismo e sedentarismo. Para entender melhor como as placas se formam, veja também o conteúdo sobre aterosclerose.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









