Perceber dificuldade para entender conversas em locais barulhentos, mas ainda conseguir ouvir relativamente bem ao telefone, nem sempre é sinal de cera no ouvido. Em alguns casos, esse padrão pode estar ligado à otosclerose, uma alteração nos pequenos ossos do ouvido médio que reduz a passagem do som.
O que é otosclerose
A otosclerose acontece quando há um crescimento anormal de tecido ósseo no ouvido, geralmente envolvendo o estribo, um dos ossículos responsáveis por transmitir as vibrações sonoras. Quando ele fica mais rígido, o som chega com menos eficiência ao ouvido interno.
Segundo o NIH/NIDCD, a perda auditiva é o sintoma mais comum e costuma começar em um ouvido, podendo atingir os dois com o tempo. Muitas pessoas notam dificuldade para ouvir sons graves, vozes baixas ou sussurros.

Sinais que podem confundir
A otosclerose pode ser confundida com cera porque ambas podem causar sensação de ouvido abafado. A diferença é que, na otosclerose, a perda auditiva tende a ser gradual e pode vir acompanhada de outros sinais.
- Dificuldade para entender fala em locais com ruído;
- Sensação de ouvido tampado, mesmo sem cera visível;
- Zumbido, como chiado, apito ou som constante;
- Piora lenta da audição ao longo dos meses ou anos;
- Histórico familiar de perda auditiva parecida;
- Escutar melhor em algumas situações específicas, como ao telefone ou com som mais próximo.
O que um estudo científico recomenda
A suspeita de otosclerose precisa ser confirmada com avaliação especializada, porque o mesmo sintoma pode ter várias causas. Segundo o artigo de revisão Brazilian Society of Otology task force: Otosclerosis: evaluation and treatment, publicado no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, o diagnóstico deve considerar exames audiológicos, avaliação clínica e, em alguns casos, exames de imagem.
A revisão também destaca que o tratamento pode envolver aparelhos auditivos, cirurgia do estribo ou outros dispositivos, dependendo do tipo e do grau da perda auditiva. Isso reforça a importância de não tratar a queixa apenas como cera sem antes examinar o ouvido.
O que pode ser feito
Quando a audição piora aos poucos, o primeiro passo é passar por avaliação com otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo. O teste de audiometria ajuda a identificar se a perda é condutiva, neurossensorial ou mista.
- Evitar colocar hastes flexíveis ou objetos dentro do ouvido;
- Anotar quando a dificuldade para ouvir começou;
- Observar se há zumbido, tontura ou pressão no ouvido;
- Informar se há familiares com perda auditiva;
- Fazer audiometria quando indicado pelo especialista;
- Ler mais sobre otosclerose e formas de tratamento.

Quando procurar avaliação
É recomendado procurar atendimento quando a perda auditiva é progressiva, afeta um ouvido mais do que o outro, dificulta conversas em grupo ou vem acompanhada de zumbido persistente. A avaliação também é importante quando a sensação de ouvido tampado continua mesmo após excluir cera.
Procure atendimento com urgência se houver perda auditiva súbita, tontura intensa, dor forte, secreção no ouvido, febre, fraqueza facial ou sintomas neurológicos. Esses sinais podem indicar outras condições que precisam de avaliação imediata.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









