Crises de enxaqueca que voltam com frequência acompanhadas de formigamento no rosto, pontos luminosos, linhas em zigue-zague ou perda parcial da visão podem indicar enxaqueca com aura, uma forma específica da doença em que sintomas neurológicos transitórios antecedem ou aparecem junto da dor de cabeça. Diferente da enxaqueca comum, ela envolve alterações temporárias do cérebro que costumam durar de 5 a 60 minutos e merecem avaliação neurológica cuidadosa, já que o padrão está associado a um risco cardiovascular maior, sobretudo em mulheres que usam anticoncepcional e fumam.
O que é a enxaqueca com aura?
A aura é um conjunto de sintomas neurológicos temporários que resultam de uma onda de atividade elétrica anormal que se espalha lentamente pelo córtex cerebral. Essa alteração provoca sintomas visuais, sensitivos ou de linguagem, que aparecem de forma gradual, duram alguns minutos e desaparecem antes ou durante a dor.
Os sintomas mais comuns incluem pontos brilhantes, linhas em zigue-zague, visão embaçada, formigamento em um lado do rosto ou da mão e, com menos frequência, dificuldade momentânea para falar. Trata-se de um tipo específico dentro do grupo das enxaquecas e representa cerca de um terço dos casos.
Como diferenciar da enxaqueca comum?
A enxaqueca comum, chamada de enxaqueca sem aura, caracteriza-se por dor pulsátil, geralmente em um lado da cabeça, acompanhada de náusea, vômito e sensibilidade à luz e ao som, sem sinais neurológicos prévios. Já na enxaqueca com aura, esses sintomas neurológicos aparecem antes ou junto da dor.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia, a aura tem instalação gradual, dura entre 5 e 60 minutos e é totalmente reversível. Essa diferença clínica é importante porque muda o perfil de risco vascular do paciente e influencia decisões como o tipo de contracepção indicada.

Quais são os principais sintomas da aura?
Reconhecer o padrão dos sintomas ajuda a diferenciar a aura de outras condições neurológicas. Os sinais mais frequentes incluem:
- Alterações visuais, como pontos luminosos, flashes, linhas em zigue-zague ou áreas escuras no campo de visão
- Formigamento ou dormência em um lado do rosto, na língua, no braço ou na mão
- Sensação de andar sobre algodão ou perda momentânea da sensibilidade
- Dificuldade para encontrar palavras ou falar com clareza
- Fraqueza leve em um lado do corpo, em casos menos comuns
- Tontura, vertigem ou sensação de instabilidade
- Sintomas que se instalam gradualmente e regridem em até uma hora
Quando esses sinais surgem pela primeira vez, aparecem de forma súbita ou duram mais de uma hora, a avaliação médica imediata é essencial para descartar outras causas neurológicas.
Como um estudo científico confirma o risco cardiovascular associado?
A literatura médica mostra que a enxaqueca com aura está associada a maior risco de eventos vasculares, especialmente em mulheres jovens. A combinação com fatores como tabagismo e uso de anticoncepcionais hormonais amplia esse risco de forma significativa.
De acordo com o consenso Hormonal contraceptives and risk of ischemic stroke in women with migraine, publicado no periódico Journal of Headache and Pain pela European Headache Federation e indexado no PubMed, a enxaqueca com aura está associada a maior risco de acidente vascular cerebral isquêmico e outros eventos vasculares. Os autores destacam que o uso de contraceptivos hormonais combinados pode ampliar esse risco em mulheres com aura, o que reforça a necessidade de avaliação individualizada e preferência por métodos contraceptivos sem estrogênio nesse grupo.

Quando procurar avaliação neurológica?
A investigação com neurologista é indicada em várias situações que envolvem enxaqueca com aura ou suspeita dela. As principais são:
- Primeiro episódio de sintomas neurológicos como formigamento, alteração visual ou dificuldade para falar, para descartar sintomas de AVC e outras causas graves
- Crises que se tornam mais frequentes, mais intensas ou mudam de padrão
- Aura com duração superior a uma hora ou sem dor de cabeça associada
- Enxaqueca com aura em mulheres fumantes ou que usam pílula anticoncepcional com estrogênio
- Presença de hipertensão, diabetes, colesterol alto ou histórico familiar de eventos vasculares
- Aparecimento das crises após os 40 anos ou associação com sintomas como febre, rigidez de nuca ou confusão mental
O acompanhamento com neurologista permite confirmar o diagnóstico, ajustar o tratamento preventivo e reduzir tanto a frequência das crises quanto o risco cardiovascular a longo prazo. Diante de qualquer sintoma neurológico novo ou de mudança no padrão das dores de cabeça, a avaliação médica não deve ser adiada.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas persistentes, procure orientação médica.









