A alergia oral, também chamada de síndrome pólen-alimento, pode causar coceira, formigamento ou leve inchaço na boca logo após comer frutas, verduras ou oleaginosas cruas. Em muitos casos, o problema não é uma alergia “pura” ao alimento, mas uma reação cruzada entre proteínas parecidas presentes no pólen e nesses alimentos.
O que é alergia oral
A alergia oral acontece quando o sistema imunológico de uma pessoa alérgica a pólen reconhece proteínas semelhantes em alimentos crus. Maçã, kiwi, cenoura, pêssego, cereja, aipo, melão e algumas castanhas estão entre os exemplos mais lembrados.
Segundo o American College of Allergy, Asthma & Immunology, a síndrome pólen-alimento é mais comum em pessoas com alergia a pólen de árvores, gramíneas ou ervas, especialmente quando já existe rinite alérgica ou sintomas respiratórios sazonais.

Por que alimentos crus dão reação
O calor pode modificar algumas proteínas responsáveis pela reação cruzada. Por isso, uma pessoa pode sentir coceira na boca ao comer maçã crua, mas tolerar a mesma fruta cozida, assada ou em compota.
- Pólen de bétula pode se associar a maçã, cenoura, kiwi, pera, cereja e avelã;
- Pólen de gramíneas pode se associar a melão, tomate, laranja e pêssego;
- Pólen de ervas pode se associar a banana, pepino, abobrinha e sementes;
- Alimentos cozidos costumam causar menos sintomas, mas isso varia entre pessoas.
O que um estudo científico recomenda
Segundo o consenso internacional An International Delphi Consensus on the Management of Pollen-Food Allergy Syndrome, publicado no The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, a síndrome pólen-alimento é comum em pessoas com rinite alérgica e ainda tem condutas variáveis na prática clínica.
O trabalho reuniu especialistas de 25 instituições em 11 países e chegou a recomendações sobre orientação, risco de reações graves, restrição alimentar e uso de adrenalina autoinjetável em casos selecionados. Um ponto importante é evitar o alimento cru que causou a reação, sem excluir automaticamente todos os alimentos parecidos.
Sinais que merecem atenção
Na maioria das vezes, os sintomas ficam restritos à boca e melhoram rapidamente após engolir, cuspir ou retirar o alimento. Mesmo assim, algumas reações podem ser mais fortes e precisam de avaliação com alergologista.
- Coceira, ardor ou formigamento em lábios, língua, céu da boca ou garganta;
- Inchaço leve na boca após frutas, verduras ou castanhas cruas;
- Sintomas que aparecem logo após morder o alimento;
- Falta de ar, rouquidão, vômitos, tontura ou urticária pelo corpo;
- Piora durante períodos de maior contato com pólen.

Como confirmar e evitar crises
O diagnóstico considera o histórico dos sintomas, a relação com alimentos crus e a presença de alergias respiratórias, como rinite alérgica. Em alguns casos, podem ser feitos testes cutâneos, exames de IgE específica ou teste de provocação oral supervisionado.
Para reduzir crises, é importante identificar o alimento cru responsável, testar formas cozidas apenas com orientação quando houver dúvida e não insistir se houver sensação de garganta fechando. Quem já teve reação fora da boca deve receber orientação individual sobre risco de anafilaxia.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









