A perda de olfato pode parecer um detalhe do dia a dia, como não perceber mais o cheiro do café fresco, do perfume ou da comida no fogo. Mas, quando surge sem explicação clara ou persiste por semanas, esse sinal merece atenção, pois o olfato tem ligação direta com áreas do cérebro envolvidas na memória e nas emoções.
Por que a perda de olfato chama atenção
O olfato depende de células no nariz e de conexões nervosas que levam a informação até o cérebro. Por isso, alterações nesse sentido podem acontecer por causas simples, como gripe e sinusite, mas também por problemas que afetam o sistema nervoso.
Na prática, a perda de olfato pode aparecer junto de nariz entupido, dor de cabeça, mudança no paladar ou dificuldade para reconhecer cheiros familiares. Quando não há infecção recente, obstrução nasal ou alergia evidente, a investigação médica se torna ainda mais importante.
O que observar no dia a dia
Nem toda mudança no olfato indica doença neurológica. Ainda assim, alguns sinais ajudam a diferenciar uma alteração passageira de um sintoma que deve ser avaliado por um médico.
- Não sentir cheiro de café, comida ou perfume como antes;
- Perder o olfato sem gripe, COVID-19 ou rinite recente;
- Perceber cheiros distorcidos, desagradáveis ou que ninguém mais sente;
- Ter dificuldade para sentir o sabor dos alimentos;
- Notar piora gradual do olfato ao longo de meses.

O que diz um estudo científico
A relação entre olfato e memória vem sendo estudada porque as vias olfativas se conectam a regiões cerebrais afetadas cedo em alguns quadros de demência, como o hipocampo e o córtex entorrinal.
Segundo o estudo Olfactory Identification and Incidence of Mild Cognitive Impairment in Older Age, publicado no Archives of General Psychiatry, idosos com pior desempenho em testes de identificação de cheiros tiveram maior risco de desenvolver comprometimento cognitivo leve. No estudo longitudinal, pessoas com pontuação abaixo da média tiveram risco cerca de 50% maior em comparação com aquelas com melhor identificação de odores.
Quando investigar a causa
A avaliação é indicada quando a alteração dura mais de algumas semanas, não melhora após infecções respiratórias ou aparece junto de outros sintomas neurológicos. O médico pode investigar causas nasais, metabólicas, infecciosas, traumáticas e neurológicas.
- Procure atendimento se houver perda súbita do olfato sem explicação;
- Informe se há falhas de memória, confusão, tontura ou dor de cabeça forte;
- Comente sobre COVID-19, sinusite, alergias, trauma na cabeça e uso de remédios;
- Observe se a perda está piorando de forma lenta e progressiva.

O que fazer se o cheiro desapareceu
O primeiro passo é não ignorar o sintoma. A perda de olfato pode ter tratamento quando a causa é inflamação nasal, pólipo, sinusite ou infecção, mas também pode funcionar como pista para uma avaliação mais ampla da saúde cerebral.
Perceber que o café, o sabonete ou a comida perderam o cheiro não significa automaticamente Alzheimer. Significa que o corpo está dando um sinal. Investigar cedo ajuda a identificar causas tratáveis e, quando necessário, acompanhar melhor a memória e outras funções cognitivas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









