A pressão durante o sono pode revelar um risco que a medida no consultório não mostra. Um estudo recente indicou que, quando a pressão sistólica noturna passa de 148 mmHg, o risco de eventos cardiovasculares aumenta de forma importante, mesmo quando a pressão do dia parece menos preocupante.
Isso não significa que um único valor isolado defina o risco de infarto, mas mostra que a noite deixou de ser um período “invisível” no cuidado cardiovascular. Para algumas pessoas, medir a pressão apenas acordado pode esconder uma sobrecarga silenciosa sobre coração, cérebro e rins.
Por que a pressão cai ao dormir
Durante o sono, o esperado é que a pressão arterial diminua, porque o corpo reduz a atividade, a frequência cardíaca e parte da resposta ao estresse. Essa queda noturna funciona como um descanso para os vasos.
Quando a pressão não cai ou sobe durante a madrugada, o organismo passa horas sob maior tensão. Esse padrão pode estar ligado a apneia do sono, doença renal, diabetes, obesidade, excesso de sal e maior ativação do sistema nervoso.

O que diz o estudo científico
Segundo o estudo observacional Nocturnal hypertension and cardiovascular events: risk analysis using propensity score matching, publicado no Current Problems in Cardiology, pesquisadores analisaram pacientes submetidos à monitorização ambulatorial da pressão arterial de 24 horas.
Após pareamento estatístico, foram avaliados 1.392 pacientes. A pressão sistólica noturna se associou ao aumento do risco de eventos cardiovasculares maiores e insuficiência cardíaca, enquanto a pressão sistólica diurna não teve a mesma associação no modelo ajustado. As curvas indicaram aumento significativo do risco acima de 148 mmHg durante o sono.
Quem deve desconfiar
A pressão alta noturna costuma ser silenciosa. Por isso, a suspeita aumenta quando há fatores de risco ou sinais indiretos de sono ruim e sobrecarga cardiovascular.
- Ronco alto, engasgos ou pausas respiratórias à noite;
- Dor de cabeça ao acordar;
- Pressão alta de difícil controle;
- Diabetes, doença renal ou obesidade;
- Histórico de infarto, AVC ou insuficiência cardíaca;
- Pressão normal no consultório, mas alta em casa.
Como medir a pressão do sono
A forma mais usada para avaliar a pressão durante o sono é a MAPA, monitorização ambulatorial da pressão arterial. O aparelho mede a pressão várias vezes ao longo de 24 horas, incluindo a madrugada.
- Use o aparelho pelo tempo indicado pelo médico;
- Anote horário de sono, remédios, sintomas e refeições;
- Evite interpretar uma medida isolada como diagnóstico;
- Leve o resultado para avaliação profissional;
- Entenda também causas e cuidados da pressão alta.

O que fazer se estiver alta
Quando a pressão noturna está elevada, o tratamento depende da causa. Pode envolver reduzir sal, tratar apneia do sono, controlar glicose, perder peso, melhorar o sono e ajustar medicamentos, sempre com orientação médica.
O número de 148 mmHg chama atenção porque aponta uma faixa de maior risco no estudo, mas não substitui avaliação individual. Para algumas pessoas, valores menores já podem preocupar, especialmente se houver diabetes, doença renal ou histórico cardiovascular.
Medir a pressão enquanto se dorme pode mudar a forma de prevenir infarto e AVC. O que acontece de madrugada também conta, mesmo quando ninguém percebe.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









