Quando a febre da dengue baixa, os pais podem pensar que a criança está se recuperando, mas esse momento também pode marcar o início da fase crítica. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, sonolência fora do habitual e recusa de líquidos são sinais que exigem avaliação rápida. A hidratação ajuda a prevenir complicações, porém não substitui o atendimento quando há piora, e alguns medicamentos comuns podem aumentar o risco de sangramento.
Por que a dengue pode piorar quando a febre baixa?
A dengue costuma apresentar uma fase febril de dois a sete dias. Em parte dos casos, a queda da temperatura, chamada defervescência, ocorre entre o terceiro e o sétimo dia e coincide com o início da fase crítica. Nesse período, pode haver aumento da permeabilidade dos vasos e saída de líquido do sangue para outros tecidos.
Essa alteração pode reduzir o volume de sangue circulante e, nos quadros graves, levar a choque, sangramentos ou comprometimento de órgãos. Na dengue em crianças, o agravamento pode ser súbito e os sintomas nem sempre são fáceis de reconhecer. Sonolência, irritabilidade, choro persistente e recusa para comer ou beber podem ser mais importantes do que a ausência de febre.
Estudo reforça sinais de risco em crianças
Segundo o estudo prospectivo WHO 2009 Warning Signs as Predictors of Time Taken for Progression to Severe Dengue in Children, publicado na revista científica Indian Pediatrics, pesquisadores acompanharam 350 crianças de um mês a 12 anos com dengue confirmada. Durante o acompanhamento hospitalar, 90 evoluíram para dengue grave.
O trabalho relacionou sinais como vômitos persistentes, sangramento de mucosas, acúmulo clínico de líquidos e aumento do hematócrito ao tempo de progressão para formas graves. O estudo não indica que toda criança com vômito terá dengue grave, mas reforça que esses sinais precisam ser avaliados em conjunto e acompanhados por profissionais de saúde.

Quais sinais exigem atendimento imediato?
Os pais devem procurar uma unidade de urgência quando a criança apresentar qualquer sinal de alarme, principalmente após a febre diminuir:
- Dor abdominal intensa, contínua ou que piora ao toque;
- Vômitos repetidos, especialmente quando impedem a ingestão de líquidos;
- Sangramento no nariz ou nas gengivas, sangue no vômito, nas fezes ou na urina;
- Sonolência excessiva, dificuldade para despertar, irritabilidade intensa ou confusão;
- Recusa persistente de água, leite materno, soro de reidratação ou outros líquidos;
- Pouca urina, boca seca, olhos fundos, ausência de lágrimas ou muita sede;
- Tontura, desmaio, pele pálida e fria, mãos e pés gelados;
- Respiração rápida, dificuldade para respirar ou piora súbita do estado geral.
Como hidratar e quais medicamentos evitar?
A quantidade de líquidos deve ser orientada conforme o peso, a idade e o estado clínico, mas alguns cuidados ajudam durante o acompanhamento:
- Oferecer líquidos em pequenos goles e com frequência, sem esperar a criança pedir;
- Usar soro de reidratação oral quando recomendado e alternar com água e outros líquidos aceitos;
- Manter a amamentação e oferecer a alimentação conforme a aceitação;
- Observar a quantidade e a frequência da urina;
- Não insistir apenas no cuidado em casa se a criança vomita tudo ou recusa líquidos;
- Não usar ácido acetilsalicílico, aspirina, ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno ou nimesulida;
- Não administrar corticoides nem combinar medicamentos para febre por conta própria;
- Usar paracetamol ou dipirona somente com orientação e dose definida para o peso e a idade.

Como acompanhar a criança com segurança?
A criança com suspeita de dengue deve ser avaliada por um profissional, mesmo que os sintomas da dengue pareçam leves. É importante anotar quando a febre começou, quais medicamentos foram usados, quantas vezes houve vômito e se a criança está urinando normalmente. A reavaliação no dia em que a febre melhora é especialmente importante porque pode coincidir com a fase crítica.
A hidratação deve continuar durante o período febril e, conforme a orientação médica, por 24 a 48 horas depois que a febre baixar. A melhora não deve ser avaliada apenas pela temperatura. Disposição, ingestão de líquidos, urina, respiração, dor e presença de sangramentos mostram melhor como a criança está evoluindo. Os remédios para dengue devem ser administrados somente após orientação profissional.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de suspeita de dengue, piora após a febre baixar, recusa de líquidos, vômitos persistentes, sonolência ou sangramento, procure imediatamente um pediatra, uma unidade de pronto atendimento ou um serviço de emergência.









