O amido resistente pode mudar a forma como o corpo responde ao arroz, especialmente em pessoas com diabetes tipo 2. Um ensaio clínico mostrou que um arroz cultivado para ter mais desse tipo de amido reduziu a elevação da glicose após a refeição em comparação ao arroz comum.
Amido resistente e glicose
O amido resistente é uma parte do carboidrato que escapa da digestão no intestino delgado e se comporta de forma parecida com uma fibra. Por ser absorvido mais lentamente, ele pode reduzir a velocidade com que a glicose sobe no sangue.
Esse efeito é importante porque picos frequentes de glicose pós-refeição podem dificultar o controle do diabetes. Ainda assim, o benefício depende da quantidade consumida, do restante da refeição e do tratamento usado por cada pessoa.
O estudo científico com arroz
Segundo o ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado Naturally cultured high resistant starch rice improved postprandial glucose levels in patients with type 2 diabetes, publicado na Frontiers in Nutrition, 73 pessoas com diabetes tipo 2 consumiram arroz comum e arroz com alto teor de amido resistente em dias diferentes.
O arroz com mais amido resistente tinha 8,44 g de amido resistente por 100 g, contra apenas 0,46 g no arroz comum. Após a refeição, a elevação da glicose foi menor aos 30 e 60 minutos, e a área sob a curva glicêmica também foi menor até 120 minutos.

O que mudou após a refeição
Os resultados sugerem que trocar o tipo de arroz pode suavizar a resposta glicêmica sem mudar completamente o padrão alimentar. No estudo, o arroz foi servido com acompanhamentos, simulando uma refeição mais próxima da rotina.
- A glicose subiu menos aos 30 minutos após o arroz com mais amido resistente;
- A diferença também apareceu aos 60 minutos;
- A resposta glicêmica total foi menor nas primeiras 2 horas;
- O efeito não foi explicado pela ordem em que os participantes testaram os arrozes.
Isso vale para qualquer arroz
O estudo avaliou um arroz específico, cultivado para ter alto teor de amido resistente. Por isso, o resultado não pode ser automaticamente aplicado a todo arroz integral, parboilizado, resfriado ou reaquecido.
Mesmo assim, a ideia reforça uma estratégia útil: escolher carboidratos com melhor resposta glicêmica e combiná-los com alimentos que reduzem a velocidade de absorção. Veja também como funciona o índice glicêmico dos alimentos.

Como melhorar o prato
Para quem tem diabetes ou glicose alta, o arroz não precisa ser proibido, mas deve entrar em uma refeição equilibrada. O tamanho da porção e as combinações fazem diferença no pico de açúcar no sangue.
- Combinar arroz com feijão, legumes e verduras ricos em fibras;
- Adicionar proteína, como ovo, peixe, frango ou tofu;
- Evitar grandes porções de arroz junto com sucos, doces ou sobremesas;
- Monitorar a glicose quando houver mudança na dieta ou nos horários das refeições.
O estudo mostra um caminho promissor para desenvolver alimentos básicos com menor impacto glicêmico. Porém, para pessoas com diabetes, qualquer ajuste deve considerar medicamentos, atividade física, exames e orientação individual.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









