A ferritina baixa pode ter relação com pernas inquietas mesmo quando a pessoa não tem anemia. Isso acontece porque a ferritina reflete os estoques de ferro do corpo, e o ferro participa de mecanismos cerebrais ligados ao movimento, ao sono e à dopamina.
Ferritina baixa e pernas inquietas
A síndrome das pernas inquietas causa uma vontade intensa de mexer as pernas, principalmente à noite ou em repouso. O incômodo pode vir como formigamento, repuxo, agonia, queimação ou sensação difícil de explicar.
O ponto pouco lembrado é que o exame de sangue pode mostrar hemoglobina normal, sem anemia, mas ainda assim haver estoque de ferro insuficiente. Por isso, medir ferritina e saturação de transferrina pode ajudar na investigação.
O estudo científico com ferro intravenoso
Segundo o ensaio clínico randomizado e controlado por placebo Ferric carboxymaltose in patients with restless legs syndrome and nonanemic iron deficiency, publicado na Movement Disorders, pesquisadores testaram uma dose única de 1000 mg de carboximaltose férrica intravenosa em pessoas com pernas inquietas moderadas a graves e deficiência de ferro sem anemia.
Foram incluídos participantes com ferritina abaixo de 75 µg/L, ou ferritina entre 75 e 300 µg/L com saturação de transferrina menor que 20%. O tratamento não foi significativamente melhor que o placebo na 4ª semana, mas mostrou melhora significativa na 12ª semana.

O que os resultados sugerem
O achado mais importante foi que o ferro intravenoso pode demorar mais do que se imaginava para estabilizar os sintomas em quem responde ao tratamento. Isso ajuda a evitar a expectativa de melhora imediata.
- O grupo tratado recebeu 1000 mg de ferro intravenoso em dose única;
- A melhora na escala de gravidade não foi clara na 4ª semana;
- Na 12ª semana, a redução dos sintomas foi significativa em comparação ao placebo;
- O estudo avaliou pessoas com deficiência de ferro, mas sem anemia.
Quando investigar ferritina
A investigação costuma fazer mais sentido quando as pernas inquietas atrapalham o sono, aparecem várias vezes por semana ou causam cansaço durante o dia. Também é importante diferenciar o quadro de cãibras, neuropatia, ansiedade e dor muscular.
- Vontade forte de mexer as pernas ao deitar ou ficar sentado;
- Piora à noite e melhora temporária ao caminhar;
- Sono fragmentado, irritação ou sonolência diurna;
- Histórico de menstruação intensa, gestação, dieta restritiva ou doença renal.
Para entender melhor sintomas, causas e tratamentos possíveis, veja também o conteúdo sobre síndrome das pernas inquietas.

Cuidados antes de repor ferro
A reposição de ferro, principalmente por via intravenosa, não deve ser feita por conta própria. O excesso de ferro pode causar problemas, e a decisão depende de exames, sintomas, histórico de saúde e risco de efeitos adversos.
Na prática, a mensagem do estudo é que ferritina baixa pode importar mesmo sem anemia, mas o tratamento precisa ser individualizado. O médico pode solicitar ferritina, saturação de transferrina, hemograma e outros exames antes de indicar ferro oral, intravenoso ou outro tratamento para pernas inquietas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









