Sentir pernas inquietas ao deitar pode parecer apenas estresse, ansiedade ou cansaço do dia, mas esse padrão também pode indicar uma condição neurológica ligada ao sono. Em alguns casos, investigar os estoques de ferro com o exame de ferritina é um passo importante antes de iniciar o tratamento.
Pernas inquietas e sono
A síndrome das pernas inquietas causa uma vontade quase irresistível de mexer as pernas, geralmente acompanhada de formigamento, repuxo, queimação ou desconforto profundo. O sintoma costuma piorar no repouso e à noite.
Uma pista importante é o alívio temporário ao caminhar, alongar ou movimentar os pés. Diferente da agitação comum, o incômodo tende a voltar quando a pessoa para e tenta dormir novamente.
O estudo científico sobre ferritina
Segundo o artigo de atualização clínica The Management of Restless Legs Syndrome: An Updated Algorithm, publicado na Mayo Clinic Proceedings, a avaliação inicial das pernas inquietas deve incluir exames de ferro, especialmente ferritina sérica e saturação de transferrina.
O algoritmo recomenda considerar ferro por via oral quando a ferritina está em 75 µg/L ou menos e a saturação de transferrina está abaixo de 45%. Isso acontece porque níveis baixos de ferro podem afetar mecanismos cerebrais ligados ao movimento e à dopamina.

Sinais que ajudam a diferenciar
Nem toda inquietação nas pernas é síndrome das pernas inquietas. O padrão dos sintomas ajuda a diferenciar o problema de ansiedade, cãibras ou má circulação.
- Piora no fim do dia, à noite ou ao deitar;
- Surge principalmente em repouso, como ao sentar ou deitar;
- Melhora com movimento, caminhada ou alongamento;
- Volta quando a pessoa para de se mexer;
- Prejudica o sono e causa cansaço diurno.
Por que a ferritina importa
A ferritina indica os estoques de ferro do organismo. Mesmo quando o hemograma não mostra anemia, a ferritina pode estar baixa ou no limite, o que pode contribuir para sintomas em pessoas predispostas.
- Histórico de anemia ou sangramentos intensos;
- Gestação, pós-parto ou menstruação abundante;
- Doença renal crônica ou doenças inflamatórias;
- Uso de medicamentos que podem piorar os sintomas;
- Dieta restritiva ou baixa ingestão de fontes de ferro.
Para entender melhor sintomas, causas e opções de cuidado, veja também o conteúdo sobre síndrome das pernas inquietas.

O que fazer antes de tratar
O ideal é procurar avaliação quando as pernas inquietas atrapalham o sono, aparecem várias vezes por semana ou causam sonolência durante o dia. O médico pode pedir ferritina, saturação de transferrina, hemograma e outros exames conforme o caso.
A reposição de ferro não deve ser feita por conta própria, pois excesso também pode causar problemas. Além disso, reduzir cafeína à noite, evitar álcool, manter rotina de sono e revisar medicamentos podem ajudar no controle dos sintomas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









