Trocar parte do sal comum por sal de potássio pode parecer uma mudança pequena, mas um grande estudo mostrou impacto importante na saúde cardiovascular. A estratégia reduz a ingestão de sódio e aumenta o potássio, dois minerais ligados à pressão arterial, ao risco de AVC e à mortalidade.
Sal de potássio e pressão
O sal comum é formado principalmente por cloreto de sódio. Já o sal de potássio substitui parte desse sódio por cloreto de potássio, ajudando a diminuir a carga de sódio na alimentação sem retirar totalmente o sabor salgado.
Esse detalhe importa porque o excesso de sódio pode elevar a pressão arterial, enquanto o potássio ajuda no equilíbrio dos líquidos e no relaxamento dos vasos. A troca, porém, não deve ser feita sem cuidado por pessoas com risco de potássio alto no sangue.
O estudo científico que mediu AVC e mortes
Segundo o ensaio clínico randomizado por clusters Effect of Salt Substitution on Cardiovascular Events and Death, publicado no New England Journal of Medicine, 20.995 adultos de 600 vilarejos rurais da China foram acompanhados por quase 5 anos.
Os participantes tinham histórico de AVC ou idade acima de 60 anos com pressão alta. O grupo intervenção recebeu um substituto com 75% de cloreto de sódio e 25% de cloreto de potássio. Em comparação ao sal comum, houve menor taxa de AVC, eventos cardiovasculares maiores e morte por todas as causas.

O que mudou nos resultados
O benefício apareceu em desfechos importantes, não apenas em números de pressão. A troca do sal foi associada a reduções relativas relevantes, especialmente em uma população com maior risco cardiovascular.
- AVC: redução relativa de 14% no grupo que usou o substituto;
- Eventos cardiovasculares maiores: redução relativa de 13%;
- Morte por todas as causas: redução relativa de 12%;
- Hipercalemia grave: não houve aumento significativo no estudo.
Quem não deve trocar sem orientação
Apesar do resultado positivo, o sal de potássio não é indicado para todos. Algumas pessoas podem acumular potássio no sangue, condição chamada hipercalemia, que pode afetar os batimentos do coração.
- Pessoas com doença renal crônica ou função renal reduzida;
- Quem usa remédios como espironolactona, inibidores da ECA ou bloqueadores do receptor de angiotensina;
- Pessoas com potássio alto em exames recentes;
- Gestantes, idosos frágeis ou pacientes cardíacos sem acompanhamento médico.
Para entender melhor as diferenças entre tipos de sal, veja também o conteúdo sobre sal light, que também costuma conter menor teor de sódio e maior presença de potássio.

Como usar essa informação na rotina
O estudo reforça que pequenas mudanças no saleiro podem ajudar, mas não resolvem tudo. A maior parte do sódio também pode vir de ultraprocessados, embutidos, temperos prontos, molhos industrializados e refeições congeladas.
Na prática, reduzir o sal comum, usar ervas e temperos naturais, comer mais alimentos frescos e controlar a pressão regularmente continua sendo essencial. O sal de potássio pode ser uma opção útil para algumas pessoas, mas deve ser avaliado com segurança quando há risco renal ou uso de medicamentos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









